segunda-feira, 11 de agosto de 2014

QUE JORNALISMO É ESTE?

IRANI LIMA

É praxe o cidadão repetir o mantra que jornalista tem que ser imparcial, que é preciso mostrar os dois lados da notícia, etc. e tal.

É discutível esta “verdade”, que grassa em nossa sociedade.

Só há uma verdade em jornalismo: ele tem que ser “verdadeiro”.

Não importa se o jornalista é conservador, retrógrado ou vanguardista.

Ele tem que ser verdadeiro. Sempre!

O exercício do jornalismo é fascinante por isso. Para exercê-lo em sua plenitude, é preciso independência.

É aí que o bicho pega!

O jornalismo que se pratica hoje não é o mesmo de 50, 60 anos atrás.

Apesar de tudo, o jornalismo ainda é uma profissão glamourosa, sonhada por milhares de jovens.

Os textos caudalosos com a informação no pé da matéria foram substituídos pela pirâmide invertida, pela informação objetiva, sem adjetivações.

Ainda assim, é possível manipular a informação.

As pressões sobre os jornalistas, principalmente os jovens, vêm de todos os lados.

São os próprios patrões, os chefes, quando não as fontes de informação, quando plantam uma notícia.

Isto ocorre todos os dias, em todos os jornais. Ninguém está infenso à pressão, principalmente vinda da editoria de política.

Foi assim com o “mensalão do PT”, que uniu a imprensa de norte a sul do país para pressionar a Suprema Corte a condenar os réus mesmo sem as necessárias provas.

Está sendo assim com o prefeito de Taubaté, Ortiz Junior (PSDB), cujos advogados de defesa comprometem o jornalismo regional ao plantar notícias que mais confundem do que esclarecem os leitores.

O jornalista que admite e divulga informações sem a certeza de sua veracidade, torna-se prosélito de sua fonte de informação.

Um pouquinho de rigor na apuração dos fatos, a partir do recebimento de informações da fonte primária, tornaria a matéria verdadeira, não importa se favorável ou não ao prefeito.

Estou me referindo à matéria divulgada neste final de semana pelos jornais O Vale, de São José dos Campos, e pela Gazeta de Taubaté.

Ambos trazem em suas páginas a informação de que está tudo tranquilo para Ortiz Junior.

Informam que os juízes que pediram vistas do processo não tem prazo para devolvê-lo e que até os juízes que já votaram contra o tucano podem voltar atrás.

Acabei de fazer um nariz de cera, um texto caudaloso, para colocar a informação que realmente interessa, sem adjetivações, nos últimos parágrafos.

Que jornalismo é este?

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