sábado, 2 de agosto de 2014

FORD: LAY-OFF COMEÇA NESTA SEGUNDA; EMPRESA SUSPENDE CONTRATO DE 108 TRABALHADORES

Layoff na montadora começa nesta segunda-feira (4) e deve dura 5 meses.Jornada será reduzida de 42 para 33 horas semanais, segundo sindicato.



Mais de 100 trabalhadores dos três turnos da unidade da Ford, em Taubaté (SP), vão ter os contratos de trabalho suspensos - layoff - por cinco meses a partir da próxima segunda-feira (4).  A montadora informou que a medida tem como objetivo adequar o ritmo de produção à desaceleração do mercado. <br> <br>
No período, os 108 funcionários vão receber por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com complemento do rendimento pago pela multinacional. O pagamento é condicionado à realização de cursos de qualificação profissional. Os critérios para escolha dos trabalhadores incluídos no layoff não foram informados pela Ford.<br> <br>
Em seguida, a jornada de trabalho será reduzida para cerca de 1,7 mil funcionários do complexo - de 42 horas semanais para 33 horas, o equivalente a um dia a menos de expediente. A medida, que não foi confirmada pela montadora, não implica em redução dos salários. As folgas serão convertidas em banco de horas, diz o sindicato. <br> <br>
PDV e férias coletivas <br> <br>
Além disso, a montadora mantém aberto um Programa de Demissão Voluntária (PDV), cujo benefício varia de acordo com o tempo de trabalho de cada funcionário. A empresa não informou as metas do programa, que acontece desde novembro de 2013.<br> <br>
Também como parte do pacote para evitar possíveis demissões, a Ford adotou em duas ocasiões neste ano as férias coletivas. A última aconteceu entre os dias 9 e 27 de junho e atingiram cerca de 80% do efetivo da montadora em Taubaté.<br> <br>
A Ford produz transmissões e motores Sigma 1.5, modelo que vai ser usado no novo Ka sedan e utilizado no New Fiesta. A unidade é a única no país que produz esse modelo de motor.<br> <br>
Expectativa <br> <br>
O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté lamentou a medida que põe os trabalhadores em layoff, mas acredita que essa é uma forma de assegurar a manutenção dos empregos. "Estamos na expectativa que o novo Ka tenha um bom índice de vendas e, com isso, os trabalhadores do layoff regressem, sejam mantidos", disse ao G1 a diretora do sindicato, Claudia Marques da Silva.
Ela disse que desde janeiro a entidade tem sido alertada pela montadora que há mão de obra considerada excedente em Taubaté.<br> <br>
RETROSPECTIVA <br> <br>
NO ULTIMO DIA 30 O IN OF PUBLICOU A SEGUINTE MATÉRIA SOBRE O ASSUNTO: <br> <br>
A diretora do SindMetau e coordenadora geral do comitê sindical por empresa, na Ford, Cláudia Albertina Marques da Silva, afirmou nesta quarta-feira (30) que a suspensão temporária do contrato de trabalho de parte dos funcionários da empresa deve ocorrer a partir de agosto e que ainda não está fechado o número de trabalhadores que serão atingidos e nem o prazo de vigência da medida. “Pela legislação, o lay-off tem duração de dois a cinco meses no máximo”.


Cláudia Marques disse que os funcionários da Ford demonstram preocupação, mas a medida é uma alternativa para evitar demissão.“A nossa expectativa é que durante a vigência da suspensão do contrato, a Ford recupere as vendas. Ela lançou recentemente um novo modelo. Esperamos que as vendas sejam boas”.

A montadora afirma ainda na nota que: ‘A Ford tem negociado com o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté uma série de medidas, como a concessão de férias coletivas e paradas da produção em banco de horas. “Atualmente, a empresa está finalizando a negociação para definir o número de trabalhadores da fábrica de Taubaté que terão seus contratos de trabalho temporariamente suspensos”.

Já a diretora do SindMetau assevera que desde janeiro, a planta de Taubaté trabalha com jornada reduzida de um dia por semana, além de banco de horas.“Este ano já foram concedidas duas férias coletivas e abertos PDV (Programa de Demissão Voluntária)”.Há cerca de 15 dias, os empregados aprovaram a adoção do lay-off na planta.

A medida denominada de lay-off deixa bem claro que durante o período de suspensão do contrato de trabalho, o empregado é obrigado a frequentar curso de qualificação.

Com a suspensão dos contratos, o salário é pago em parte pelo governo federal, por meio do FAT (Fundo de Apoio ao Trabalhador) e em parte pela empresa, que fica desobrigada de encargos trabalhistas.
BALANÇO - O que está acontecendo com a Ford de Taubaté é um reflexo dinâmico do que também vem ocorrendo em outras indústrias. A retração econômico está agindo de maneira obscura e catastrófica para os trabalhadores, gerando sequelas que talvez possam ser revertidas a médio prazo. Não é um fato isolado como muitos ousam raciocinar. Pois basta fazer uma reflexão mais aprofundada que verificamos muitas causas. Por exemplo, a dinâmica do emprego industrial neste ano vai além das demissões em ritmo mais intenso do que no ano passado. De janeiro a maio, de acordo com dados do Ministério do Trabalho o número de funcionários em "layoff" (suspensão temporária do contrato de trabalho) no setor já ultrapassa o total acumulado em 2013. Nesse período, a quantidade de requerimentos de bolsa-qualificação, benefício concedido ao funcionário afastado, chegou a 7.514, contra 7.144 no ano passado.

O aumento elevou as previsões de gastos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) com a rubrica neste ano para R$ 52,5 milhões, quase o dobro do registrado no ano passado (R$ 33,8 milhões). Dados do portal da Transparência mostram que, até maio, o benefício já custou R$ 17,5 milhões, 33,5% do previsto no orçamento.

O bolsa-qualificação pode chegar atualmente a R$ 1.304,65 - valor do teto do seguro-desemprego. O funcionário pode ficar afastado por um período de dois a cinco meses e mantém direito a férias, 13º e participação nos resultados. Nos acordos fechados entre sindicatos e entidades patronais desde o início do ano, as empresas se comprometem a pagar a diferença entre o salário e a bolsa, para que os trabalhadores continuem recebendo a remuneração integral.

Com quedas sucessivas nas vendas e na produção, o setor automotivo é o principal afetado pela onda de "layoffs". No ABC paulista, onde se concentra grande número de montadoras e fábricas de autopeças, há atualmente 1.300 metalúrgicos com contratos de trabalho suspensos, de acordo com o sindicato da categoria.

A Volkswagen de São José dos Pinhais(PR) afastou 400 funcionários em junho e, há poucos dias, negociou a suspensão de contrato de outros 70 na unidade de São Carlos (SP). Segundo o sindicato dos metalúrgicos do município, houve também na região o afastamento de 120 funcionários da Electrolux e 40 da Smalte.
O grupo de 300 metalúrgicos que havia sido afastado entre fevereiro e maio pela Volkswagen, no Paraná, já retornou ao trabalho. Caso a produção não retome o ritmo até setembro, para quando está previsto a volta da segunda turma, o sindicato tentará negociar novos afastamentos temporários. A expectativa entre os trabalhadores, porém, é que as vendas do setor automotivo melhorem neste segundo semestre.

O "lay-off" é um bom arranjo de curto prazo para que as empresas contornem dificuldades temporárias. "Trata-se de uma saída de curto prazo para o setor que passa por algum problema específico, sofrendo o impacto de um ciclo econômico mais adverso. Se o problema, contudo, for estrutural o afastamento temporário perde o sentido.

O desembolso das empresas com os funcionários em "layoff" varia bastante. Em São Carlos, por exemplo, onde o salário médio dos metalúrgicos é de R$ 2,3 mil, a bolsa paga pela FAT cobre a maior parte dos custos. Na unidade da Volkswagen em São José dos Pinhais, o desembolso é maior, já que a remuneração média está mais próxima de R$ 3 mil. O salário médio da base dos metalúrgicos do ABC é de R$ 4,4 mil.

Recentemente o emprego no segmento automotivo foi uma das pautas da reunião do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC com o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. Nada foi divulgado a respeito.

Atualmente, a fábrica da Ford em Taubaté emprega cerca de 1.800 pessoas.

A unidade produz motores, transmissão (câmbio) e faz fundição e usinagem de peças para a planta da montadora no Estado da Bahia. Desde dezembro do ano passado, a Ford já concedeu três férias coletivas e outros 15 dias de licença por conta de acúmulo de banco de horas na unidade.




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