sexta-feira, 27 de novembro de 2015

IMPASSE

LG E SINDMETAU SE REÚNEM EM SP: AMEAÇA DE DEMISSÕES DA MULTINACIONAL FOI O MOTIVO
DIA 4 ESTÁ AGENDADO UM NOVO ENCONTRO ENTRE  O SINDICATO E A LG
Hernani Lobato  na LG
Após cinco horas de reunião, terminou sem acordo a negociação entre a LG e o Sindicato dos Metalúrgicos para barrar a ameaça de demissões de mais de 400 funcionários anunciado pela empresa na sexta-feira passada (20). A indústria alega que tem um excedente de mais de 600 funcionários.
O encontro nesta quinta-feira (26) foi na Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) em São Paulo e teve a participação do secretário da pasta, José Luiz Ribeiro.
Como não houve consenso entre representantes da multinacional e do sindicato, uma nova reunião foi marcada para 4 de dezembro. O sindicato e a empresa não informaram detalhes da negociação.
A LG alega  que reforçou as medidas para tentar amenizar os impactos da crise nos negócios, já que atualmente produz apenas 30% de sua capacidade na planta no Vale do Paraíba.
A empresa deu férias coletivas aos empregados 14 vezes neste ano e foram abertos Programas de Demissão Voluntária quatro vezes neste ano.
A LG afirma que analisou as possibilidades oferecidas pelo Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e pela suspensão temporária do contrato de trabalho (lay-off), mas as alternativas não atenderiam  às necessidades de redução de custos da empresa no curto e médio prazo.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

FATOR LG

MOBILIZAÇÃO TOTAL DA NOSSA SOCIEDADE

OBJETIVO: PRESERVAR FAMÍLIAS
"A situação, infelizmente, é crítica em todos os setores do país. O Sindicato negocia junto à empresa desde o momento que sinalizaram a possibilidade destas demissões. Se depender de nossa luta, ao lado dos trabalhadores e toda a sociedade, vamos impedir que as demissões aconteçam. Contamos com o apoio de todos!" - HERNANI LOBATO PRESIDENTE DO SINDMETAU


Na sexta-feira (20) a empresa coreana LG alardeava aos quatro ventos a ameaça de demitir mais de 400 trabalhadores da sua unidade em Taubaté. Todos nós fomos surpreendidos com a informação que não surgiu do nada mas sim – probabilidade extrema – por ordem da matriz daquele País oriental. Uma situação sui generis. E nada sutil. Extremamente péssima para o establishment local e também para a nossa sociedade. Fatores macroeconômicos não são nada favoráveis para que o nosso País venha a ser alavancado e devidamente colocado nos eixo do crescimento econômico haja visto que as crises política e econômica são estampadas nas páginas da mídia diariamente para desconsolo e satisfação de muitos.
Todos nós – independente da ideologia ou posicionamento social – estamos sendo penalizados pela classe dominante. Os trabalhadores, como sempre, pagam a conta. Que não é deles, diga-se de passagem. Os impostos, a gasolina, a energia elétrica etc sobem e o que tinha no seu bolso se esvai antes da segunda quinzena do mês. Então imagine você sem um posto de trabalho e com família para sustentar. Situação extremamente pesada para qualquer ser humano digno e honesto. Penalizado por ficar “economicamente inviável”.
Análises à parte este é o momento de uma grande mobilização da nossa sociedade. Uma vez isso foi feito e deu certo. Quem não se lembra quando a Volks de Taubaté tentou se transformar em AutoVisão – uma grande jogada econômica dos alemães. Mas, o poder de mobilização dos meios sociais da cidade foram tão intensos com respostas nas ruas que retroagiram, isto é, recuaram. Vox dei vox Populi.
O mesmo que foi feito naquela situação deveria se repetir agora. Este é o momento para que as forças políticas de Taubaté (poderes constituídos, entidades, cidadãosetc) se unam em torno de um só objetivo: evitar que a LG VENHA A DEMITIR ESSES FUNCIONÁRIOS. Se isso vier a ocorrer um precedente sério na economia da nossa cidade estará aberto para que outras empresas sigam o mesmo rastro da empresa coreana. Isso tem que ser evitado para que a catástrofe econômica não fique avassaladora em nossa cidade. Sem controle.
Sendo assim, este é o momento para que todos se unam ao Sindicato dos Metalúrgico de Taubaté (SindMetau) na luta que o seu presidente o jovem líder Hernani Lobato e seus diretores estão travando: diálogo e evitar que as demissões ocorram. Friso o assunto é sério demais para que ideologias ou não simpatizantes da entidade não abracem essa causa. Diferenças devem ficar de lado. O objetivo é preservar a dignidades desses trabalhadores. Desemprego em massa é ruim para todos e principalmente para a nossa sociedade.
Portanto, establishment se una e diga não ao desemprego. Hoje é a LG  amanhã... Vamos evitar que isso se torne realidade. Ainda dá tem tempo.
MOBILIZAÇÃO SOCIAL AGORA!
DALTON MOREIRA

terça-feira, 24 de novembro de 2015

EI VOCÊ LEITOR

ISSO SE CHAMA JORNALISMO INVESTIGATIVO
ESSA É UMA DAS MUITAS MANCHETES QUE FIZ PARA FOLHA DE S. PAULO ONDE TRABALHEI SEIS ANOS
FAZ PARTE DO CONJUNTO DA OBRA DO LIVRO QUE ESTOU ESCREVENDO
E SAIS minerais PARA OS INVEJOSOS E MEDÍOCRES
FAÇAM ISSO E DEPOIS CONVERSAMOS



sábado, 21 de novembro de 2015

HERNANI LOBATO: “LG AMEAÇA DEMISSÃO DE TRABALHADORES; VAMOS TENTAR EVITAR QUE ISSO ACONTEÇA”

Hernani Lobato
A fabricante de eletrônicos LG ameaça demitir 450 funcionários considerados excedentes na planta de. A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos  ( o SindMetau) que informou sexta-feira (20) que tem efetuado tratativas com a multinacional para reverter a decisão.
Segundo o presidente da entidade, Hernani Lobato, nesta semana foram feitas reuniões com a direção da empresa, sendo uma delas com a participação do prefeito de Taubaté, Ortiz Jr. (PSDB). Na ocasião, a prefeitura ofereceu 15 anos de isenção de impostos à empresa para assegurar a manutenção destes postos de trabalho, mas a proposta teria sido recusada. A anistia é equivalente a R$ 30 milhões.
O sindicato entregou à LG um pacote de programas que poderiam assegurar os empregos, entre as quais estão a suspensão dos contratos de trabalho 'layoff' e adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que reduz os salários e jornada nas empresas com dificuldades financeiras.
Uma assembleia na próxima segunda-feira (23) deve definir com os trabalhadores uma mobilização e os rumos da negociação. Eles foram informados sobre o risco das demissões nesta sexta.

A LG informou, por meio de nota, que não comenta sobre negociações  e afirmou que mantém diálogo aberto com o sindicato. A empresa reforça que tem tomado as medidas possíveis para se adaptar a realidade do mercado, para a continuidade do negócio.
A planta da LG de Taubaté tem cerca de 2.000 trabalhadores e produz equipamentos de linha branca, como eletrodomésticos e monitores. Neste ano, a empresa adotou oito vezes férias coletivas para seus operários para adequar a produção à demanda de mercado. A LG demitiu 285 trabalhadores em 2015.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Alexandre Villela pede indicação de limite de velocidade no solo

Alexandre Vilela
Ao considerar que Taubaté conta com vários radares mal sinalizados, o vereador Alexandre Villela (PMDB) solicitou à Prefeitura a sinalização de solo, indicando os locais onde existe a fiscalização feita pelos equipamentos.
Além disso, ele pediu que o limite de velocidade seja pintado no chão, ficando mais claro para o motorista, que mantém a visão voltada para a via.
Por meio de requerimento, Villela solicitou, ainda, que seja instalado um semáforo no cruzamento da avenida Santa Cruz do Areão com a rua Dr. Miguel Vieira Ferreira e rua Antônio Canineo, no Parque Sabará.
Com isso, o parlamentar visa reduzir o número de acidentes que acontecem no local, devido, até mesmo, ao fato de alguns motoristas não respeitarem a sinalização.
Asfalto
Para a Vila Aparecida, o parlamentar solicitou recapeamento nas ruas Tamoio e Alfredo Cândido Vieira. Os munícipes que procuraram o vereador reclamam das péssimas condições nas vias citadas.
Escorpiões
O vereador pede que o Executivo realize algum trabalho nos bairros, a fim de alertar os perigos e conscientizar os moradores para diminuir a incidência do aparecimento de escorpiões, que têm se espalhado por Taubaté.
Além disso, ele lembrou o quanto à dedetização é importante nas áreas mais afetadas. Ressaltou que é preciso fazer a limpeza de terrenos para que o animal não se esconda nesses locais.
Lazer
Após receber reclamações em relação à má conservação da praça situada ao lado da igreja, na avenida Dr. César Costa, o parlamentar solicitou que o local passe por revitalização. Ele lembrou que o local é bem frequentado, por ser o único espaço de lazer no bairro.
Ainda sobre lazer, Alexandre Villela pediu a instalação de um parque infantil na praça do Cristo, no bairro Alto São Pedro, a fim de evitar que as crianças brinquem na academia ao ar livre do local, podendo se machucar.  

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Bilili é apontado como homem de confiança do presidente da Assembleia

O vereador José de Angelis “Bilili” (PSDB) se mostrou agradecido após contar que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Fernando Capez (PSDB), o apontou como um de seus “homens de confiança”.
Essa indicação foi noticiada na revista Companhia de Negócios. “Isso, para mim, é motivo de orgulho. Tenho certeza de que meu pai está sorrindo lá no céu, pela passagem do filho dele nesta Terra”, declarou.
O parlamentar afirmou, ainda, acreditar que o próximo governador do Estado de São Paulo será Capez. “Não tenho dúvida nenhuma.”
Ele agradeceu pelo deputado ter escolhido ele entre as cinco pessoas de confiança apontadas na edição da revista.
Palmeiras
Bilili lembrou que foram plantadas palmeiras reais no bairro Imaculada, doadas por sua empresa. Agora, a pedido da nora dele, o plantio irá começar na Vila São Geraldo.
Quem está patrocinando o plantio neste bairro, em parceria com a Prefeitura Municipal, é a Bilili Seguros e Bilili Agropecuária, ambas empresas do parlamentar.
Ele criticou algumas pessoas, que classificou como “vândalos”, pois quebram e matam a palmeira. Além disso, disse que algumas das palmeiras foram roubadas e repudiou a ação. “Queria falar para as pessoas não roubarem. Liguem no meu gabinete, pois temos bastante lá e doamos.”
Cidadania
O vereador convidou seus colegas parlamentares a participarem da cerimônia que o concederá o título de cidadão tremembeense, dia 26 de novembro.
Bilili foi presidente do Sindicato Rural de Tremembé por dois mandatos. Além disso, sua empresa de agropecuária tem 30% de suas terras situadas em território tremembeense.
Academia
Bilili questionou o prefeito sobre a possibilidade de instalar academia ao ar livre na praça Joaquim Antônio de Camargo Ortiz, no Jardim Gurilândia.  
“A academia ao ar livre tem trazido enormes benefícios aos seus usuários, como uma forma de lazer que proporciona a sua clientela um melhor condicionamento para o corpo e para a mente, por meio de atividade física”, argumentou o vereador.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

TRIBUNA POLÍTICA LIVRE

O Genial Paulo Francis
ELE FOI O CAUSADOR DO LAVA JATO?
Paulo Francis foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores polemistas da história do jornalismo brasileiro. Dono de um estilo único, era extremamente versátil nos assuntos que abordava, apresentava senso de humor acima da média ao redigir seus textos e combinava um repertório intelectual acima da média, utilizando sempre a expressão direta e coloquial. Um jornalista que deixou uma legião de admiradores, detratores, imitadores e inimigos famosos.
De trotskista na juventude a neoconservador e defensor do liberalismo na fase madura da vida, Francis era considerado uma figura mítica em todas as redações por onde passou, desfilando sempre seu estilo único. Com repertório vocabular vasto e textos enxutos, quebrava os paradigmas com naturalidade e muito humor. Um entusiasta do politicamente incorreto, que no trato pessoal se portava de maneira amistosa, simpática e afetiva.
Um criador de casos por excelência, com incrível erudição e capacidade intelectual amedrontadora, Paulo Francis parecia fadado ao ataque; políticos, empresários, feministas, nacionalistas, cantores, escritores, colegas de profissão, etc. Sua armadura de arrogância, que não poupava nem os bons amigos, escondia uma figura tensa, tímida, afetuosa, solidária e desajeitada.
Esse ícone do jornalismo brasileiro, começou sua carreira como ator na Cia. Teatro do Estudante, mas não obteve o sucesso esperado no mundo da Sétima Arte. Posteriormente, engatou vários trabalhos como crítico teatral em diversos veículos. Apesar da paixão pelo palco, o maior legado do teatro em sua vida foi seu próprio nome. Franz Paul era seu nome de batismo. Considerado um nome pouco atraente para a carreira de ator, foi alterado pelo diretor da Companhia de teatro que representava na época. Assim nasceu Paulo Francis.
Engolindo, à contragosto, a nova identidade, Francis tocou a sua existência de um jeito intenso. Bebendo e trabalhando loucamente, viveu do jeito que quis, até ser pego de surpresa por um baita revés profissional. Após uma série de acusações, sofrera um processo nos EUA movido pela alta cúpula da Petrobrás. Ele vinha denunciando a estatal, afirmando que graúdos funcionários estavam enriquecendo graças a negócios irregulares na compra de equipamentos. Seu faro de notícia escondeu o fato de não ter provas suficientes para sustentar as acusações. Sua vida virou um inferno. Entrou em depressão profunda e seu coração não aguentou. Teve um ataque fulminante do coração e nos deixou em 04/02/97.
Se nos anos 90 ele já se considerava ‘tecnicamente morto’, ou seja, derrotado pelo triunfo da mediocridade generalizada, imagine como se sentiria agora.
O velho Francis morreu na hora certa.
Um dos seus maiores arrependimentos foi não ter obtido sucesso na carreira teatral. Para corrigir essa ‘falha’ na carreira do jornalista, lançaremos aqui 10 obras primas dos seus longos anos como polemista profissional.
10 razões para, enfim, aplaudirmos Paulo Francis de pé.
1- Seu estilo era planejado, virulento, polêmico, minucioso e brutal.
“O negócio era demolir”, decretou Francis.
A modernização do Diário Carioca, a exemplo do que Jânio de Freitas faria no Jornal do Brasil, marcou a imprensa dos anos 1950. Passou a vigorar a técnica americana do lide, em que a cabeça da matéria dá as informações essenciais (quem – onde – como – quando – por que), tornando obsoleto o maldito recurso retórico e inútil no início de um texto, deixando em segundo plano o essencial da informação.
Dessas raras lições proveitosas do jornalismo, Paulo Francis assimilou imediatamente o estilo e começou a escrever de forma concisa, direta e sem atalhos. O ‘cão hidrófobo’ do jornalismo brasileiro nascia desse entendimento da construção dos seus artigos.
2- Suas críticas não poupavam os grandes nomes dos palcos da época.
“A direção, cenografia e luz são parte e parcela do espetáculo”, afirmava Francis.
No começo de sua careira como crítico de teatro, Paulo Francis defendia que a direção de arte, os cuidados com a cenografia e a qualidade da luz eram imprescindíveis para a qualidade do espetáculo. Esse óbvio ululante nos dias atuais não era nada óbvio nos anos 60. Só uma minoria compartilhava essa visão. Irritado com o que considerava a estagnação do teatro nacional, Francis evocava os métodos de Stanislavski e do Actors Studio nova-iorquino como opções necessárias à modernização. Tomou porrada de todos os lados, mas o tempo provou que estava certo.
3- Francis abominava os erros crassos cometidos no período da Ditadura.
“O adesismo fisiológico é norma política nacional”, afirmava categoricamente o jornalista.
Três décadas após o golpe de 1964, Francis ainda criticava os absurdos equívocos cometidos no período, como a falta de organização elementar das massas. A esquerda preferia ganhar no grito, sem se preocupar em traçar uma real estratégia revolucionária. Segundo Francis, a esquerda fazia muito barulho contra o imperialismo, exigindo mudanças radicais de base, mas sem lastro algum com a população. E, ao insuflar a quebra de hierarquia das Forças Armadas, acelerou o golpe. O alto grau de improvisação que segundo Francis, poderia ter sido frustrado se houvesse reação do chamado dispositivo militar de Goulart, acrescentou um toque a mais de humilhação na derrota da esquerda. Foi a impetuosidade do General Olympio Mourão que precipitou o movimento, marchando de Minas para o Rio com tropas de recrutas inexperientes e apavoráveis ao primeiro tiro. O próprio Marechal Castello Branco, lembra Francis, criticou Mourão por agir sem o devido preparo. “O movimento militar nunca teve objetivo concreto, produto do consenso dos oficiais responsáveis. Foi, como acredito, parte acidental, parte defesa contra a comunização ou esquerdização caudilhesca do país sob jango ou Brizola.”
4- Nasce o Pasquim. E Francis, obviamente, estava lá.
“Outrossim é a puta que o pariu” Graciliano Ramos
Antes de explicar a bela frase acima, farei um pouco de suspense.
Após sair da cadeia em 1969, Francis passou a se virar com freelances, como sua célebre entrevista com Bertrand Russell para a revista Realidade. Depois de ser preso novamente, dessa vez acusado de envolvimento com o sequestro do embaixador americano Charles Buke Elbrick, embora estivesse na Europa a serviço da Editora Abril no dia do ocorrido. Depois de ser dispensado pelo General, que percebeu a terrível mancada, Francis volta para casa. Seria o início de uma verdadeira revolução na imprensa brasileira. O Pasquim, semanário satírico lendário, saíra do papel; Francis era um dos colunistas.
Pela primeira vez, um jornal escrito inteiramente com a linguagem coloquial, usando a linguagem riquíssima do nosso povo, porém esquecida pelos acadêmicos e maioria da imprensa. Francis justificava esse novo escrever lembrando uma história célebre do venerável Graciliano Ramos quando revisor da seção editorial do Correio da Manhã. “Um dia Graciliano falou: outrossim. Estava lendo um texto. Repetiu várias vezes: outrossim. Por fim, gritou: ‘Outrossim é a puta que o pariu.’ E riscou a palavra sórdida. O Pasquim converteu o expletivo de Graciliano em texto completo”
O semanário nasceu por causa de uma situação de censura, como veículo para um grupo de jornalistas se expressarem, cultural e politicamente. Para Francis, não foi o humor, e sim a censura, a explicação para o sucesso do jornal. “Censurados, não podíamos espinafrar o regime, logo tivemos de dar asas à imaginação, como dizem, e não cair nas reclamações monocórdias típicas da esquerda.”
5- Anos 70. Pasquim a todo vapor. Francis em cana outra vez.
Em novembro de 1970, quase 80% da redação de O Pasquim foi em cana, sob a bizarra acusação de que sua linguagem descontraída era na verdade um código para militares comunistas. Ou motivo, mais concreto, foi uma charge ridicularizando o quadro sobre a proclamação da independência, pintado por Vítor Meirelles; na versão pasquiniana, D. Pedro I grita: “Eu quero mocotó!” (referência a uma canção que fazia muito sucesso na época, com o maestro Erlon Chaves). Anos depois, longe de se fazer de vítima – como fizeram Ziraldo e Jaguar -, Francis jactava-se de que nesse período pôde ler à vontade, sem ter que pagar credores ou administrar suas três namoradas – não…ele não era gay. Só lamentava quando o carcereiro escutava Wanderléa o dia inteiro, uma forma de tortura para seus ouvidos wagnerianos.
6- Numa banana fenomenal, Francis aceita trabalhar como freelancer para várias publicações
“Se colocarem uma moeda de 25 cents na minha boca, sai um artigo”, dizia Francis.
Paulo Francis chegou a colaborar com sete publicações diferentes. Visão, Tribuna da Imprensa, Pasquim e Status eram algumas dessas publicações.
Nessa época, corria à boca pequena que o jornalista terceirizava mão de obra para dar conta das encomendas. Desmentindo veementemente, ele retrucava, afirmando que se alguém colocasse uma moeda de 25 centavos na sua boa, ele cuspia um artigo. Achava que trabalhar era a melhor maneira de embromar a realidade da vida. “São Paulo estava errado e São João, certo. A salvação é pelas obras e não pela fé.”
7- Adorava a paródia que Chico Anysio fazia dele na TV
“Era perfeita em pegar meu sorriso, que não sei por que, juro, parece sempre contradizer o que estou dizendo, um sorriso dialético”, divertia-se sobre as imitações do saudoso Chico.
Francis abriu nova fase na sua vida ao entrar para o time de comentaristas da Rede Globo, em 1981, tornando-se uma figura extremamente popular graças às suas aparições nos telejornais de grande audiência da emissora. Humoristas passaram a imitá-lo à profusão. Francis considerava uma obra de arte a paródia feita por Chico Anysio. Sua experiência passada como ator amador ajudou-o bastante a compor o tipo televisivo. Certa vez, no Brasil um motorista de táxi perguntou se ele era o homem que falava aos “soquinhos” e começou a imitá-lo. Para Francis, o soquinha chama-se “fecho sonoro”, mas tudo bem… Ele curtia a fama. E dava risada de quem se divertia com ele.
8- Ele guardava na cabeça seu próprio texto, complexo e longo, e falava de improviso diante da câmera sem o teleprompter.
“Puta que o pariu!”, soltava a todo momento, o ensandecido Francis.
No meio da redação, com 15 pessoas trabalhando em volta, um telefone tocava, alguém falava, e lá se ia a concentração do Francis. Furioso, ele mandava seus PQP´s e recomeçava do início. Vê-lo gravar era um espetáculo à parte. A cada repetição, mil palavrões e Francis ficava cada vez mais brilhante, mais contundente e mais colérico com as interrupções. O resultado era uma torrente de palavrões, ditos com intensidade suficiente para abalar o centro de Manhattan. Você acha que é mentira? Acompanhe abaixo para ouvir a maior coleção de PQP´s da TV brasileira – e nunca foram ao ar, obviamente.
9 – Ajudou muitos colegas em momento de dificuldade, mas ninguém sabia disso.
“Francis era a pessoa mais querida da redação”, garante Jorge Pontual.
“Sempre com uma palavra carinhosa para cada colega de trabalho, ajudou a muitos, financeiramente, em momentos de dificuldade. Mas ninguém sabia disso. Ele exigia sigilo absoluto. Só depois que morreu ficamos todos sabendo da dimensão extraordinária da sua generosidade”. Lucas Mendes confirma os empréstimos ressalvando: “Mas não perdoava, cobrava.”
10 – Em 1986, Francis já discutia com estatólatras sobre reserva de mercado.
Francis polemizou nas páginas da Folha de São Paulo com o físico Rogério César de Cerqueira Leite sobre a lei de proteção ao mercado da informática, então nascente no país. Cerqueira Leite argumentava que a reserva era importante para o Brasil sair da condição de importador de computadores. Francis alertava que ficaríamos sem o know-how e as inovações necessárias para avançar na área. A história lhe deu razão, pois só com o fim da reserva, o Brasil pôde de fato se desenvolver no setor. À abertura da economia no Brasil era defendida por Francis, que acreditava que a globalização e o livre mercado poderiam ser saídas para a crise e o consequente sucesso econômico do país.
São apenas 10 razões escolhidas no palitinho, mas poderiam ser 30, 40, 50…100.
Paulo Francis comprou briga com Arnaldo Jabour, descascando os filmes nacionais. “O filme é uma merda, mas o diretor é genial”, provocara Francis, inspiradíssimo em sua coluna na Folha. Considerava Eduardo Suplicy um maluco e chamava-o pelo singelo e mordaz apelido de Morgadon, um poderoso sonífero – alusão aos problemas notórios apresentados pelo pai do Supla. Já naquela época, sabia que o PT era uma mentira, não respeitava a liberdade de expressão e vivia tentando silenciar os críticos à força. Adorava o poeta Walt Whitman e, vez ou outra, sapecava a clássica citação: “Sou contraditório, contenho multidões.”
Francis sabia rir de si mesmo. E adorava esculachar a esquerda, o que incomodava muito às fileiras dos partidos canhotos, já que Francis era um socialista nos idos de 60 e 70. Para ele, a tendência do intelectual é ser de direita, pois por definição é um elitista. E que a desconversa esquerdista não era compatível com quem toma banho todo dia. É verdade. A velha esquerda e sua rigidez ideológica encheram-lhe o saco. Uma de suas últimas grandes influências foi o economista Friedrich Von Hayek e sua obra prima, “O caminho da servidão”, de 1944. Um dos mais conhecidos libelos em favor da liberdade individual em oposição ao poder do Estado. Apesar de sempre defender o meio termo, Francis estava cada vez mais inclinado ao pensamento liberal.
Francis nunca teve filhos. Para justificar mais essa decisão, abusava da sua erudição; utilizava a última frase das “Memórias Póstumas de Brás Cubas” como resposta padrão: “Não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.”
Esse era Paulo Francis. Autêntico, polêmico, insubstituível e miseravelmente genial.