quinta-feira, 5 de junho de 2014

Contando de um a dez...

Camões Filho

         Você sabe contar até dez? Claro que sim, deve ser sua resposta. Um, dois, três, quatro...
Isso me faz lembrar de uma cena inesquecível de um dos filmes de Indiana  Jones. Nosso herói ainda é jovem, tem uns 16 anos, e está fugindo de uma horda enfurecida. Ele vai entrando em casa e gritando por socorro para seu pai, vivido pelo grande e saudoso ator Sean Connery. O pai, entretido em suas pesquisas, fala com desdém: “Agora não, Junior”.
Quem acompanhou a série lembra que Indiana Jones odiava duas coisas: cobras e ser chamado de Junior. Ele volta a clamar por socorro e seu pai, com toda a fleuma britânica, pede: “Calma Junior... e conta até dez”. Quase sendo alcançado pela horda sanguinária, Indiana começa a contar: “Um, dois, três...” E o seu pai, indiferente aos perigos: “Em grego, Junior... em grego”.
Bem, contar até dez eu sei, mas em grego não. Mas a cena me faz lembrar a história daquela psicóloga que fazia testes de admissão em uma empresa e manda entrar o primeiro candidato.
         – O senhor pode contar até dez, por favor?
E o candidato dispara:
– Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um.
A psicóloga, curiosa, pergunta por que ele contou de trás pra frente. O candidato responde:
– É que eu trabalhava na NASA e era o responsável por fazer a contagem regressiva no lançamento de foguetes.
Ela chama o próximo candidato.
– O senhor pode contar até dez, por favor?
O rapaz responde sem pestanejar:
– Um, três, cinco, sete, nove, dois, quatro, seis, oito, dez.
Intrigada, a psicóloga pergunta:
– Por que você contou primeiro os ímpares e depois os pares?
O candidato esclarece:
– Porque eu trabalhava como carteiro e estava acostumado a contar assim, casas pares de um lado, ímpares de outro.
Finalmente ela chama um terceiro candidato.
– Antes de começarmos, por favor, me diga uma coisa: o que o senhor fazia no emprego anterior?
– Eu era estagiário e fazia faculdade.
– Certo. O senhor pode contar até dez?
– É claro. Ás, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, valete, dama e rei.
Até agora não sei quem ganhou a vaga...




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Camões Filho é jornalista, escritor e pedagogo, pós-graduado em Jornalismo e Assessoria de Imprensa. E-mail do autor: camoesfilho@bol.com.br

CNJ quer agilidade na busca de solução para a falta de vagas no sistema socioeducativo de Goiás

CNJ quer agilidade na busca de solução para a falta de vagas no sistema socioeducativo de Goiás
O Conselho Nacional de Justiça pretende marcar uma reunião com o governador de Goiás, Marconi Perillo, na tentativa de encontrar solução mais ágil para a falta de vagas no sistema socioeducativo no estado. A decisão é resultado da inspeção realizada na tarde de terça-feira (3/6), quando o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do Conselho Nacional de Justiça (DMF/CNJ), Douglas Martins, e o juiz auxiliar da presidência do CNJ Luiz Carlos Santos estiveram em Luziânia/GO para inspecionar as instalações no Centro de Assistência Socioeducativa da cidade, de onde foram liberados, no último dia 9/6, oito adolescentes infratores por falta de vagas na unidade.
Os jovens em conflito com a lei foram liberados pela juíza substituta da Vara da Infância e Adolescência de Luziânia, Flávia Cristina Zuza, depois que ela recebeu do Poder Executivo a informação de não haver vagas no sistema socioeducativo em todo o estado de Goiás.
Segundo o presidente do órgão responsável pelo controle de vagas no sistema socioeducativo no estado, o Gecria (Grupo Executivo de Apoio a Crianças e Adolescentes), coronel André Luiz Schroder, atualmente Goiás possui 399 vagas para o cumprimento de medidas socioeducativas, das quais 20 estão interditadas para reforma e todas as outras se encontram ocupadas. A previsão de aumento no número de vagas é só para daqui a 11 meses, quando devem ficar prontas as unidades que o governo do estado constrói nas cidades de Goiânia e Anápolis. Ainda segundo o coronel, outras oito unidades estão em fase de licitação, captação de recursos ou ainda em conclusão de projetos.
Na avaliação do CNJ, a situação do estado é preocupante. “Não é razoável esperar tanto tempo. Novas infrações hão de ser cometidas e é preciso ter uma solução para isso. Aqui temos de partilhar responsabilidades e cada instituição aqui tem a sua. Vamos em busca de uma solução a curto prazo para evitar ainda mais danos para a sociedade. Só o fato de vir um representante do governo do estado até aqui, já entendemos como uma sinalização de boa vontade”, explicou o coordenador do DMF.
O CNJ vai solicitar que a reunião com o governador de Goiás seja na próxima semana, também na presença do presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. O objetivo é buscar uma medida paliativa até que o estado consiga equacionar o problema de falta de vagas para que adolescentes infratores cumpram as medidas.  
Compromisso – Em 2012, o governo de Goiás assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do estado, com o objetivo de adequar o sistema socieducativo. O compromisso, porém, está com uma série de atrasos, como a entrega das novas unidades.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Polícia Civil adota novos procedimentos para melhorar as investigações sobre pessoas desaparecidas

A Polícia Civil de São Paulo criou novos procedimentos para melhorar as investigações sobre pessoas desaparecidas no Estado. A medida descentraliza as investigações, que atualmente são concentradas na 4ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Pessoas Desaparecidas, da Divisão Antissequestro do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa).
Na capital, a 4ª Delegacia continuará responsável pelas investigações, enquanto que aos setores de homicídios das delegacias seccionais da Grande São Paulo e as delegacias de investigações gerais (DIGs) do interior ficarão responsáveis pelas suas respectivas áreas. Os registros de desaparecimentos feitos por meio da Delegacia Eletrônica serão distribuídos para essas delegacias responsáveis, de acordo com a sua localização.
Centralização
Por outro lado, foram adotadas medidas para centralizar as informações sobre pessoas desaparecidas, para que sejam disponibilizadas de forma mais fácil para toda a Polícia Civil.
Desta forma, o Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD) vai organizar todas as informações que receber de SVOs (Serviços de Verificação de Óbito) e Institutos Médicos Legais (IMLs) e retransmitir para o Sistema para Cadastro de Pessoas Desaparecidas e Cadáveres, que será administrado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol).
Isso possibilitará que as informações encaminhadas por um SVO integrem o banco de dados da Polícia Civil para que, por exemplo, um corpo que não foi reclamado após 72 horas tenha suas características encaminhadas para o Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), que fará o cruzamento de informações com dados de pessoas desaparecidas. Caso esse corpo seja relacionado a algum caso, a autoridade policial responsável será comunicada.
Esse banco de dados será gerenciado pela Divisão de Tecnologia da Informação (DTI), do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol). Ele será abastecido com informações recebidas pelo IIRGD, que também faz parte do Dipol, e que serão encaminhadas pelas delegacias responsáveis pelas investigações de desaparecimentos e pelos SVOs e IMLs.
Esses dados incluem fotografias, digitais, filiações, entre outras informações do desaparecido. O IIRGD ficará responsável por incluir as informações dos prontuários civil e criminal da pessoa desaparecida.
A DTI também será responsável pela constante atualização do site de Pessoas Desaparecidas, da Polícia Civil.
Apurações
Outra novidade é a criação do Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID), que será aberto pela Polícia Civil durante a elaboração de todos os boletins de ocorrência de desaparecimento.
Dentre os procedimentos obrigatórios do PID, estão o contato com familiares, amigos, local de trabalho, escolas, hospitais, IMLs, SVO, casas de albergue, abrigos, estabelecimentos prisionais, conselhos tutelares, clínicas psiquiátricas entre outros locais que possam ter informações sobre o desaparecido.
Também serão realizadas pesquisas em todos os sistemas de Segurança Pública de São Paulo, como o RDO (Registro Digital de Ocorrências) e o Infocrim, e levantamento de informações telefônicas.
O PID será substituído por um inquérito policial caso o desaparecimento seja relacionado a um crime.
Quando houver o desaparecimento de uma criança, adolescente ou pessoa com deficiência física, mental ou sensorial, o responsável pelo registro e o Centro de Comunicações e Operações da Polícia Civil (Cepol) deverão comunicar imediatamente Polícia Federal, aos portos, aeroportos, terminais rodoviários, ferroviários, polícia rodoviária e companhias de transporte intermunicipais, interestaduais e internacionais da região da ocorrência.
As medidas passam a valer a partir desta terça-feira (3). Todas as providências para adaptar o RDO e a intranet da Polícia Civil já foram adotadas para implementar as mudanças.
A portaria nº 21/2014, assinada pelo delegado geral de Polícia, Luiz Mauricio Souza Blazeck, foi publicada no Diário Oficial do Estado na última  terça.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Plenário do CNJ presta homenagem ao ministro Joaquim Barbosa



Dias após anunciar a aposentadoria do serviço público, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Joaquim Barbosa, foi homenageado no início da 190º Sessão Ordinária do Conselho, nesta terça-feira (3/6). Discursos ressaltaram a atuação do ministro em favor do aperfeiçoamento do Poder Judiciário e também sua história de vida.
“No ensejo da nossa primeira sessão plenária após o anúncio público de sua próxima aposentadoria, quero externar, em meu nome, e em nome dos meus pares, a consternação generalizada pelo seu afastamento do cargo que sempre soube honrar. Então nos juntamos ao reconhecimento das pessoas de bem do quanto o seu profícuo labor serviu à causa da Justiça em seu dioturno aperfeiçoamento, mostrando a importância do imperativo inarredável de sempre se marcar a independência do Poder Judiciário na árdua missão de julgar, inclusive os poderosos”, afirmou a conselheira Ana Maria Amarante, que falou em nome dos demais integrantes do CNJ.
O vice procurador-geral da República Odim Brandão, representante do Ministério Público na sessão ordinária do CNJ, também homenageou o ministro Joaquim Barbosa. “Eu gostaria, com as maiores forças, deplorar sua aposentadoria, a aposentadoria prematura de Vossa Excelência”, declarou Brandão, que também destacou a formação intelectual do ministro.
“Gostaria de chamar a atenção para um ponto que, na discussão sobre a presença de Vossa Excelência no cenário público, tem sido um pouco obscurecido e mereceria lembrança. Gostaria de ressaltar que o livro, além da extensão da memória, no caso de Vossa Excelência ele transformou um garoto pobre, um garoto de família humilde, em um doutor pela Sorbonne e depois um presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), cuja retirada é anunciada em capas de revista, jornais e nos principais canais de comunicação do país como nunca se fez”, discursou o integrante do Ministério Público, acrescentando que o ministro Joaquim Barbosa simboliza “a força da educação na formação de quadros independentes do Estado Brasileiro”.

ACÓRDÃO DO TC PARA O CATÃO LER ANTES DE DORMIR. BOA NOITE!

IRANI LIMA
O Catão da Vila São Geraldo não é apenas um finório, que usa de astúcia enganosa para ludibriar quem crê em sua falácia. O vereador desnecessário é antes de tudo um escroque que, ardilosamente e fraudulentamente, não tem pejo em se apresentar como sabichão para se aproveitar da boa-fé das pessoas e ganhar dinheiro.



Estou falando de Joaquim Marcelino Jofre Neto, o vereador desnecessário, aqui chamado de Catão da Vila São Geraldo.

Para começo de conversa, lembro que o Catão responde processo por improbidade administrativa na Vara da Fazenda Pública de Taubaté por fraudar licitação pública para ser contratrado pela Câmara Municipal de Taubaté, quando estava desempregado e vivia de bicos.

O processo 0020937-19.2011.8.26.0625 trata da ação civil pública impetrada pelo Ministério Público de Taubaté. Joffre Neto conseguiu mantê-lo em sigilo até a eleição de 2012 porque havia entrado com agravo de instrumento no Tribunal de Justiça. O pedido foi negado posteriormente pela 6ª Câmara de Direito Público.

Em São Luiz do Paraitinga, a Câmara Municipal concluiu relatório a ser entregue ao Ministério Público sobre a apuração feita pelos vereadores a respeito da contratação, em 2009, do Catão da Vila São Geraldo, como pode ser conferido aqui.
DEBATE NA TV CIDADE

Em dezembro de 2012, convidado a participar de um debate com o então recém-eleito vereador Joffre Neto no programa de Chico Oiring, aceitei. Amigos tentaram demover-me. Diziam que Joffre era ardiloso, acostumado a enfrentamentos políticos.

Havia menos de dois meses, eu havia recebido alta hospitalar após um mês de internação. Estava convalescendo de um infarto que havia sofrido em setembro, mas não fugi ao debate. Imaginei que debateria em torno de ideias políticas e manifestações neste blog.

Conheci, naquela noite, a essência do Catão da Vila São Geraldo. Joffre Neto se associou a um calhorda de Pindamonhangaba, que atende pelo nome de João Paulo Ouverney, a quem eu chamo de faxineiro de poleiro de tucano, para assacar contra a minha honra.

Disse que eu era homem público, ímprobo, pois minhas contas de 2007 da Fundação Dr. João Romeiro, que orgulhosamente presidi entre 2005 e 2008, haviam sido rejeitadas pelo Tribunal de Contas.

Fiquei surpreso, pois não havia sido comunicado pela Prefeitura de Pindamonhangaba. Ignorava, portanto, a decisão do TCESP.

Combalido, não me lembrava que havia assinado um recurso que seria apresentado ao TCESP pelo escritório da competente advogada Flávia Palaveri, em 2011.

Intrigado, peticionei ao TCESP, que me forneceu certidão em março de 2013 informando que até aquela data nada constava que desabonasse minha conduta.

Em abril deste ano, os conselheiros do Tribunal de Contas analisaram e aceitaram meu recurso, pois as diretorias técnicas já haviam se manifestado favoravelmente pelo provimento do reurso.

Quando as contas de 2007 da Fundação Dr. João Romeiro foram rejeitadas, não houve acusação de desvio de verba ou de função da entidade. O conselheiro Roque Citadini as rejeitou por uma formalidade contratual com um anunciante, que não foi feito por mim.

Aqui, acórdão do Tribunal de Contas dando provimento ao meu recurso e modificando a sentença para regulares. Sei que o Catão da Vila São Geraldo se espantou quando foi informado que meu recurso havia sido aceito. Ei-lo:


TOTALITARISMO

Hoje, Liana Nunes Palácio é assessora do vereador desnecessário, a quem chamava de totalitário em 23 de abril de 2013, pelo Facebook, conforme demonstrado abaixo, inclusive com comentários de antigos aliados.

Acho que o Joffre está irritando até os velhos amigos:

Eis aí. por trás de todo o seu verniz de atitude moderna, democrática e defensora da virtude, a essência do totalitarismo que vai sendo imposto pelas "causas" do bem. O alicerce central de sua postura é raso e estreito: "Ou você pensa como eu. ou você é um idiota; ou você pensa como eu. ou você está errado". Ou você é coisa ainda muito pior, dependendo do grau de ira que sua opinião despertou neste ou naquele mostra uma outra devoção: o desejo de mandar no comportamento dos outros...Qualquer pessoa que quer nos impor uma escolha forçada, diz o psicanalista Contardo Calligaris, de São Paulo. provavelmente está interessada, acima de tudo, em "afirmar e consolidar seu poder sobre nós"... IN: Veja. Um mundo escuro - J. R. GUZZO, 22/04/2013.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Funcionários de companhias aéreas são treinados para lidar em Juizados Especiais durante a Copa

Funcionários de companhias aéreas são treinados para lidar em Juizados Especiais durante a Copa
O Conselho Nacional de Justiça promoveu, na quinta-feira (29/05), em Brasília/DF, o curso de Formação em Conciliação e Mediação especificamente para trabalhadores de companhias aéreas que atuarão como prepostos nos Juizados Especiais dos aeroportos das cidades que sediarão os jogos da Copa 2014. O objetivo é prepará-los para buscar solução pacificada em eventuais conflitos com clientes.
A iniciativa é uma parceria entre o Movimento pela Conciliação do CNJ, a Corregedoria Nacional de Justiça, que articula a atuação dos juizados especiais nos aeroportos, e o Fórum Nacional de Coordenação das Ações do Poder Judiciário para a Copa do Mundo Fifa 2014. O curso tem origem em demanda das próprias companhias aéreas, quando estiveram reunidas com a coordenação do Fórum da Copa em abril passado e foi prontamente atendida pelo impacto positivo que tem junto ao Poder Judiciário. “Tendo em vista que a conciliação é, em regra, positiva para as partes e desafoga o Poder Judiciário, procuramos atendê-los”, explicou o conselheiro Paulo Teixeira, presidente do Fórum da Copa.
Realizaram o curso 20 funcionários das companhias aéreas Azul, Avianca, Gol, Turkish, Copa Airlines e Copa Air China, que trabalham nos aeroportos Santos Dumont e Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, Congonhas e Cumbica, em São Paulo, Marechal Rondon, em Cuibá (MT), e Confins, em Belo Horizonte/MG. Todos receberam conhecimento e material capaz de torná-los multiplicadores da prática da conciliação em suas respectivas empresas. “Estamos aqui sensibilizando possíveis prepostos, mas também capacitando-os para torná-los multiplicadores de treinamento de prepostos, iniciado pelo CNJ em 2009”, explicou a juíza auxiliar da Corregedoria Mariella Nogueira.
 
Essa é a segunda vez que o CNJ realiza um curso nesses moldes voltado para esse público. No ano passado, prepostos de companhias aéreas também receberam preparação antes da Copa das Confederações. O juiz André Gomma, membro do comitê gestor da conciliação, ressaltou que o Conselho tem se mobilizado para orientar as empresas aéreas a virem a conciliação como fonte de receita e não, de despesa. “As empresas em geral, não só as aéreas, gastam verdadeiras fortunas com ações demarketing. Mas elas precisam compreender que a conciliação é o marketingmais próximo que a empresa pode ter com o consumidor. Literalmente o cliente está a um metro e meio de distância, mas, mais do que isso, a empresa pode dar uma resposta que é personificada, individualizada e que pode demonstrar zelo”, afirmou o magistrado.

Sensibilização – O curso para prepostos de companhias aéreas foi ministrado pelo servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Júlio Cesar Rodrigues de Melo, um dos vencedores do Prêmio Conciliar É Legal (do CNJ) deste ano, na categoria Instrutores em Mediação. O tema foi voltado para a “Sensibilização Cultural”, que consiste na preparação dos prepostos a atuar no momento de conciliação com usuários estrangeiros. “Antes de chegar ao Juizado Especial para lidar com o cidadão que reclama um dano, o representante da empresa precisa ser preparado para o diálogo, para a solução pacífica. A conciliação começa antes mesmo daquele encontro entre empresa e cliente. Ela começa na preparação dos prepostos”, explicou o juiz André Gomma.
Coordenador do Movimento Permanente pela Conciliação, o conselheiro Emmanoel Campelo também aponta o curso como uma ferramenta de melhoria da capacidade das empresas aéreas de resolverem conflitos, contornando-os de maneira mais simples e rápida. “Os participantes são instruídos com técnicas conciliativas para atuar no atendimento aos passageiros. Quem está vindo de fora do país ou de outros estados para a Copa não terá tempo de resolver conflitos em longo prazo, e as questões judiciais são de resolução lenta. É preciso que a prestação de serviço esteja preparada para dar respostas urgentes”, avaliou.
A juíza do TJDFT Joana Cristina Barbosa Ferreira, que atua no Juizado Especial do aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília/DF, aprovou a iniciativa. Ela acompanhou o curso durante a tarde. “Esse curso é essencial diante da diversidade de público que teremos nos aeroportos durante o período da Copa. Com prepostos preparados na cultura da mediação, o diálogo flui melhor e a conciliação tende a ser uma consequência”, afirmou.
O curso também foi aprovado por quem vive a realidade dos aeroportos. “Este curso de conciliação é importante para eu me identificar mais em relação ao passageiro, ou seja, procurar saber o que está acontecendo, os motivos da reclamação do passageiro, me colocar no lugar dele. Na maioria das vezes, o passageiro já chega exaltado, nervoso. Hoje em dia, o ser humano está muito nervoso. Quando isso acontece, eu tento amenizar a situação, e o passageiro acaba pedindo desculpas”, relata a funcionária de uma companhia aérea que atua no Aeroporto Juscelino Kubitschek, Cleusa Alves Eustáquio.

domingo, 1 de junho de 2014

Experiência brasileira de democracia sanitária serve de exemplo a outros países



Experiência brasileira de democracia sanitária serve de exemplo a outros países
Você conhece a expressão “democracia sanitária”? Pois saiba que ela está diretamente ligada ao direito constitucional que todos os brasileiros têm de participar das políticas de saúde do País.
De acordo a advogada e pós-doutora Sueli Gandolfi Dallari, uma das maiores estudiosas no assunto, apesar de todas as deficiências constatadas na implantação desses mecanismos de participação na política de saúde brasileira, o País está na vanguarda internacional da “democracia sanitária”, com a criação legal, por determinação constitucional, de inúmeros fóruns de construção e de controle das políticas de saúde, como Conselhos e Conferências de Saúde.
“Essa experiência brasileira vem sendo objeto do interesse tanto de países mais desenvolvidos – e posso lembrar o entusiasmo dos franceses, por exemplo – quanto daqueles em desenvolvimento, como a Índia e a África do Sul”, afirma Dallari, que é coordenadora científica do Núcleo de Pesquisas em Direito Sanitário da Universidade de São Paulo e professora convidada da Faculté de Droit, Université de Paris e da School of International and Public Affaires, Columbia Unversity (USA).
A especialista proferiu a palestra inaugural da I Jornada de Direito da Saúde, realizada pelo Conselho Nacional de Justiça, este mês, em São Paulo/SP. O evento reuniu magistrados, integrantes do Ministério Público, gestores, acadêmicos e profissionais da saúde, que definiram enunciados interpretativos sobre o direito à saúde para orientar o Judiciário brasileiro na tomada de decisões nesse tipo de processo.
Para Dallari, o Judiciário tem papel decisivo nessa temática. “Ele pode ajudar decisivamente na garantia do direito à saúde, controlar as políticas de saúde, verificando – em caso individual e sempre que provocado para o controle direto da constitucionalidade – se todas as normas jurídicas que traduzem tais políticas foram elaboradas com a participação de todos os interessados e foram aplicadas com o controle desses interessados”, explica. Veja abaixo a íntegra da entrevista com a professora.
A senhora tem um artigo chamado “A democracia sanitária e o direito à saúde: uma estratégia para sua efetivação”. O que podemos entender por “democracia sanitária”?
Entendo que “democracia sanitária”, no campo da saúde, do Estado Democrático de Direito, implica a participação popular na fixação dos objetivos da política de saúde e no controle das ações e serviços que constituem tal política. Do mesmo modo que o Estado Democrático de Direito exige a combinação recíproca da democracia representativa com a democracia direita, a “democracia sanitária” exige que o povo participe na realização do direito à saúde quando escolhe os programas de saúde propostos por seus representantes nas eleições, mas ela exige também que o povo continue controlando a formulação e a implementação das políticas de saúde. Em suma, não se pode falar em “democracia sanitária” sem compreender o papel crucial desempenhado pelo povo.

Como está o Brasil em comparação com outros países nesse aspecto?
O Brasil acompanhou o movimento mundial, teórico e prático, que implicou a adoção do modelo de Estado Democrático de Direito, no último quarto do século vinte. Assim, com a Constituição de 1988 estava dada a base jurídico-constitucional para que as políticas públicas fossem permanentemente formuladas e implementadas no País, usando uma combinação dos mecanismos da democracia representativa com os mecanismos da democracia direta. Por outro lado, todos os que se preocupavam com saúde tinham certeza de que ela deveria ser tratada como um direito de todos e que a única maneira de se conseguir isso era assegurar que a política de saúde fosse elaborada e executada sob o controle direto do povo. Isso também por uma exigência do próprio conceito de saúde, que – por envolver ao mesmo tempo aspectos ligados mais diretamente à liberdade, outros à igualdade e outros ainda à solidariedade – só pode ser determinado na situação concreta, na comunidade, com a participação de todos os interessados. Essa feliz coincidência da evolução do direito constitucional e do movimento sanitário brasileiro acabou colocando o Brasil na vanguarda internacional da “democracia sanitária”, com a criação legal, por determinação constitucional, de inúmeros fóruns de construção e de controle das políticas de saúde. Essa experiência brasileira vem sendo objeto do interesse tanto de países mais desenvolvidos – e posso lembrar o entusiasmo dos franceses, por exemplo – quanto daqueles em desenvolvimento, como a Índia e a África do Sul.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um sistema democrático e de sucesso?
Sim, democrático e de sucesso. A fórmula com que ele foi estruturado permite a efetiva participação do povo na definição das políticas de saúde e também o controle popular na execução dessas políticas. Vimos muitas deficiências na implantação desses mecanismos de participação, muita cooptação partidária, mas estamos vendo também que vários conselhos de saúde estão conseguindo exercer suas funções com competência, muitas vezes ajudados pelo próprio sistema de Justiça, com a participação das Promotorias de Justiça e mesmo como resultado da atuação do Judiciário. A elevação do nível de saúde dos brasileiros é um sinal do sucesso do SUS, apesar de reconhecermos todos que as necessidades de saúde não atendidas ainda são muitas. Acredito que nesse campo é preciso ter a “paciência histórica”, não esmorecendo na busca da saúde como um direito de todos.
Como a senhora avalia a participação dos cidadãos brasileiros no controle social garantido por meio dos Conselhos de Saúde existentes no país?
Conselhos e Conferências de Saúde são importantes exemplos dos fóruns para a criação e o controle da política de saúde. Eles são mecanismos de participação política e é preciso reconhecer que o povo brasileiro é pouco provocado e formado para valorizar positivamente essa participação. Assim, os Conselhos e Conferências de Saúde têm-se tornado importantes espaços para a aprendizagem política e o exercício democrático. Eles nos têm ajudado a formar cidadãos, que participam efetivamente na decisão dos assuntos de interesse da “cidade”, como ensinou Aristóteles.
É possível dizer que as agências reguladoras de saúde têm desempenhado seu papel de modo a garantir os direitos dos brasileiros?
Não, ainda não. Creio que também nesse ponto é preciso recorrer à “paciência histórica”. O mundo atual ainda está procurando encontrar uma forma justa de aproveitar o trabalho conjunto dos atores públicos e privados. Ele ainda está preocupado em conseguir evitar a “captura” pelos agentes privados (setor regulado) dos controles públicos. No Brasil nós vivemos essa mesma angústia. Um tema recorrente nos debates internacionais é o chamado “conflito de interesses”, ou seja, quer-se evitar que o mesmo indivíduo que tem uma relação estreita, profissional ou intelectual com agentes privados seja aquele indivíduo que o sistema público contrata para elaborar as normas de controle daquela mesma atividade econômica e para promover sua aplicação.
Isso acaba se tornando um fator limitador ao desempenho das agências?
Sim. Esse fenômeno, que ocorre tanto individualmente (conflito de interesse), quanto coletivamente (captura), é ainda um claro limitador ao desempenho das agências reguladoras para a garantia de direitos em todo o mundo e em todos os setores. Podemos, entretanto, afirmar que ele é mais grave no setor saúde brasileiro porque ainda temos relativamente poucos profissionais, que devem se dividir entre os dois lados do balcão. E também porque nossa experiência de participação política e de exercício democrático é ainda pequena. Minha conclusão é, apesar disso, otimista, pois vejo que a atuação tanto da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quanto da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) tem contribuído para melhorar tanto o controle dos medicamentos e outros insumos para a saúde, quanto o controle da prestação de serviços de saúde pelas seguradoras e pelos planos de saúde no Brasil.
O que o Poder Judiciário tem a ver com toda essa questão? E de que forma pode ajudar o Brasil a avançar na garantia de direitos mais efetivos na esfera da saúde?
O Judiciário é encarregado de garantir em última instância os direitos afirmados constitucionalmente. Ele tem, portanto, tudo a ver com a “democracia sanitária”, o mecanismo criado na Constituição de 1988 para assegurar o direito à saúde dos brasileiros. Ele pode ajudar decisivamente na garantia do direito à saúde, controlar as políticas de saúde, verificando – em caso individual e sempre que provocado para o controle direto da constitucionalidade – se todas as normas jurídicas que traduzem tais políticas foram elaboradas com a participação de todos os interessados e foram aplicadas com o controle desses interessados. Ele deve ser o guardião do Estado Democrático de Direito, esse modelo que combina a democracia participativa com a democracia direta, também na saúde.
Clique aqui para ler a apresentação de Sueli Gandolfi Dallari na abertura da I Jornada de Direito da Saúde.