segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Em resposta à solicitação de Salvador Soares, Ministério da Saúde confirma Samu em Taubaté


A Prefeitura de Taubaté terá, porém, que disponibilizar estrutura mínima.

O vereador Salvador Soares (PT) recebeu, nesta segunda-feira, 6, um ofício do Ministério da Saúde confirmando a liberação de verba para a implantação do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel e Urgência) no município de Taubaté.

A central a ser instalada em Taubaté, vai abranger os municípios de Campos de Jordão, Lagoinha, Natividade da Serra, Pindamonhangaba, Redenção da Serra, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São Luiz do Paraitinga e Tremembé.

Autor da solicitação para instalação do Samu, o vereador Salvador Soares (PT) enalteceu o apoio do Governo Federal. “O Ministro Padilha sempre se mostrou dispostos em atender a nossa região. O Samu será muito bem vindo”, disse ele.

Com uma verba estimada em R$ 474 mil para a implantação do atendimento, o serviço deve ser implantado até a metade de 2014. Segundo informações, Taubaté terá seis ambulâncias, Pinda contará com quatro e Campos do Jordão com três.

Contrapartida


No entanto, Salvador salientou que a Prefeitura precisa proporcionar a construção das bases descentralizadas. “O Ministério da Saúde libera verba para a implantação do Samu, mas é preciso que o município disponibilize uma infraestrutura mínima”, disse ele.  

MJ abre edital para seleção de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas

 O Ministério da Justiça vai financiar projetos de prevenção ao tráfico de pessoas em parceria com organizações da sociedade civil. As propostas devem ser enviadas até o dia 24 de janeiro.

A seleção de projetos é uma ação estratégica da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas para estabelecer parceria com organizações da sociedade civil sem finalidade lucrativa, adquirir novos conhecimentos e reconhecer práticas institucionais que possam gerar novas técnicas e metodologias.

Até cinco projetos serão financiados pelo edital, envolvendo tecnologias e metodologias inovadoras, grupos ou situações de vulnerabilidade específicas e perspectiva de gênero.

O edital faz parte da estratégia global do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime - UNODC e da implementação do protocolo para prevenir, suprimir e punir o tráfico de pessoas, especialmente de mulheres e crianças, que complementa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.

domingo, 5 de janeiro de 2014

ABORTO E CULTURA



Comentário do Jornal "El País" relaciona o direito da mulher ao avanço dos continentes no campo cultural. Os continentes menos desenvolvidos tendem a adotar leis restritivas, enquanto os países considerados avançados o admitem, como nos EUA e na Europa, nesta com exceção da Austrália e, agora, da Espanha, cujo ato de governo a maioria de seus cidadãos interpretou como retrocesso.

Os continentes latino-americano, africano e asiático inibem o aborto. Como sempre, à exceção do Uruguai, de José Mujica. O pequeno país da república oriental que, aos poucos, converte-se no símbolo da liberdade na América do Sul.

Assim, o aborto é livre sob boas condições hospitalares, clínicas, médicas etc, e vedado nas sociedades mais atrasadas, onde acaba se realizando nos desvãos da clandestinidade.

Com isso, a população dos continentes que já usufruem de melhores condições de vida se reduz, melhorando a qualidade de vida de seus habitantes. O contrário se dá nas sociedades pobres, em que os filhos de jovens de 14 anos aumentarão o contingente de seres humanos que viverão toda uma vida muito distante do objetivo hoje proclamado pela ONU e por todos os pensadores esclarecidos: a vida só faz sentido em boas condições materiais, psicológicas, de relacionamento social, de respeito aos direitos individuais e coletivos, em suma, sob circunstâncias que propiciem uma felicidade constante, naturalmente interrompida somente por fatores adversos imprevistos.

Mas há os que pensam que a vida é sagrada, ainda que submetida às mais torpes condições. Ainda que se passe fome e que se sobreviva à distância das condições de bem estar e dignidade.

É possível que o potencial da vida humana tenha sido criado por Deus. A fé e não a ciência corrobora a tese. Todavia, não passa de ficção bíblica, criada para justificar as péssimas conjunturas de existência à época dos profetas, a ideia de que Deus nos fez para sofrer. A conta não fecha, na lógica da própria teologia, pois um ser infinitamente bom que produz rebentos à sua imagem e semelhança não os fez para sofrer.

Enfim, o homem é o único senhor de seu destino. É livre para adotar suas opções e suportar o fardo das respectivas responsabilidades. O direito, há alguns anos, doutrinava que seu fim é a realização do bem comum. Expressão pouco reveladora, hoje é substituída pela realização da felicidade.


Ninguém será feliz, e tampouco a nação a que pertencem, com crianças, filhos de crianças ou de adultos desprovidos de condições para a própria subsistência, ao amargar uma vida de carência, insalubridade, doenças, impossibilidade de acesso aos bens mais elementares, pessoas lançadas sob os ventos mais agressivos e dos quais só emanam tristezas, frustrações, suicídios.

Aos cristãos, não custa lembrar que Jesus só produziu alegria, segundo as próprias referências bíblicas, verdades históricas ou não: converteu água em vinho numa festa, para que a alegria dos participantes não fosse interrompida; praticou milagres para que rebotalhos humanos não penassem e soçobrassem na amargura; ingressou com seu grupo alegre em Jerusalém na comemoração do domingo de ramos; no "Pai nosso", pediu a Deus que nos livrasse de todos os males; na cruz, pediu-lhe que não o abandonasse, ou seja, não abandonasse os homens, cuja espécie integrava. E tanto não só nos amava, como amava a terra, que ressuscitou.

O aborto, devidamente regido por leis adequadas e garantida sua execução sob boas condições médicas e hospitalares, ausentes quando ele se faz clandestinamente, é um direito lídimo da mulher e, se possível, de ambos, consensualmente, dos que geraram o novo ser; sua proibição nos continentes pobres completa suas paisagens áridas e inóspitas de amarguras.
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*Amadeu Garrido de Paula é advogado.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Censo, tráfico de pessoas, transparência no Judiciário e casamento gay foram os mais assistidos no youtube do CNJ

Os cinco vídeos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mais assistidos no ano de 2013 atingiram 25 mil acessos. O mais acessado, com cerca de 8.400 visualizações, foi colocado no ar no dia 19 de agosto e fala sobre o Censo do Poder Judiciário, que pretende mapear o perfil dos servidores e magistrados brasileiros.
Em segundo lugar, com 6.200 visualizações, está o interprograma sobre tráfico de pessoas e trabalho escravo, elaborado pelo CNJ. O órgão é um dos parceiros do governo federal no combate ao crime que movimenta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 32 bilhões de dólares por ano e faz mais de dois milhões e meio de vítimas no mundo. No Brasil, o Ministério da Justiça já confirmou a existência de pelo menos 475 casos, desde 2005.

Em 3º lugar no youtube do CNJ está o filme sobre a Lei de Acesso à Informação no Poder Judiciário. A medida criada pela Resolução 102, que regulamenta a divulgação de informações referentes à administração e execução orçamentária dos tribunais, determina a criação de um portal da Transparência em cada tribunal, com o detalhamento das despesas.

Em 4º lugar está a transmissão da 169ª sessão ordinária do CNJ, ocorrida em 14 de maio, que aprovou a celebração do casamento civil  entre casais do mesmo sexo. O texto aprovado pelo CNJ proíbe as autoridades competentes de se recusarem a habilitar, celebrar casamento civil ou converter união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em 5º lugar, aparece a última sessão plenária do ano (181ª), ocorrida em 17/12, com 2.543 acessos, desbancando o vídeo sobre a 8ª Semana Nacional da Conciliação (18/10/2013), com 2.466 visualizações.

O perfil do CNJ no Youtube é um canal para veiculação das sessões ordinárias do órgão, de notícias, campanhas e orientações para a população. Atualmente, possui mais de 3 mil vídeos entre programas, campanhas e sessões plenárias postadas na rede. O tempo total assistido em 2013 foi de mais de 1 milhão e 200 mil minutos, o equivalente a 1 ano e 134 dias.

Vídeos mais acessados em 2013:
181ª Sessão Ordinária CNJ – 17 de dezembro de 2013 (2.543 visualizações) http://www.youtube.com/watch?v=jvQOKnIuzKk

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

PANIS ET CIRCENS E ANDERSON SILVA


Amadeu Garrido


O pão básico e a diversão sustentam os piores governos. É o caso do Brasil atual. A diferença está em que, na velha Roma, a diversão era propiciada pelos próprios governos. O Coliseu reunia plateia de até 25 mil pessoas, ansiosas pelos resultados mais dramáticos para os lutadores. Uma plateia digna de um atrativo jogo de futebol de nossos dias. A diversão atual, que as estratégias militares enquadrariam como "diversionismo" (falsidades que induzem a erro o inimigo), fica a cargo dos monopólios de publicidade e comunicação, que desenvolvem as manobras de grande utilidade para os poderosos que deixam de enfrentar os problemas nevrálgicos da nação. 

O Brasil é o segundo país do mundo a aplaudir a franquia UFC. Gladiadores modernos, ainda que sem gláudios e sob efeitos que mais de dois milênios de civilização os tornaram mais amenos, já que não se contempla a morte do adversário como grande objetivo dos aplausos, porém não menos agressivos e repugnantes a consciências minimamente estruturadas.

Muitos adeptos dessa selvageria parecem ter adquirido algo dessa percepção humanística com a última lesão do brasileiro Anderson Silva, em ato de violência grotesco que invadiu nossos lares alta madrugada, em que nossas esposas, filhas, filhos e netos permaneceram em vigília para presenciar o grotesco na telinha. Não bastassem as violências que por ela desfilam todos os dias, a gerar uma população neurótica e medrosa.

Democracia é liberdade com limites. Limites que correspondem a valores da própria democracia. E que estão descritos na Constituição do país. Nossa Constituição elegeu um estado de direito democrático, fundado em preciosos valores descritos em seu texto. Respeito à dignidade humana, à  vida e à integridade física, à solidariedade entre as pessoas, o fim da vida social fulcrado na felicidade, a solução pacífica dos conflitos etc. Direta ou indiretamente, esses e outros valores fundamentais restam abalados pela deplorável prática comentada, que nada tem de esportiva.

Os gladiadores eram os capturados nas guerras, escravos e condenados criminalmente. Para aumento de seu número, à época dos imperadores Cláudio I, Calígula e Nero, os réus apenados pelas culpas mais leves eram remetidos ao Coliseu. Hoje, são os integrantes da classe social menos favorecida que vêem na inserção nesse tipo de espetáculo o único modo de escapar de um futuro de agruras. Pouco importa se a carregar lesões irreversíveis, comprometedoras da qualidade de vida, desde que o dinheiro para se ter acesso aos bens materiais de uma sociedade de consumo, e de demanda reprimida pela escassez de recursos financeiros e bem distribuídos, venha para o bolso.

A um exame perfunctório dos aspectos constitucionais do fenômeno, considero aqueles valores arranhados. Portanto, estamos diante de uma conduta ilícita, desde o ato de agressão dos contendores até a cumplicidade de seus promotores e dos órgãos de imprensa que os expõem a milhares de pessoas.

Dizer que a ofensa a princípios pedagógicos e à formação cultural de nosso povo é acentuar o óbvio ululante. Num país tomado pela violência e criminalidade, organizada e desorganizada, em que deveríamos somar todos os esforços para disseminar os preceitos da convivência harmônica e solidária, salta aos olhos o caráter ruinoso dessa propagação e incitamento ao conflito físico e bárbaro.

À Igreja cabe um importante papel na erradicação dessas monstruosidades. Os combates romanos só começaram a arrefecer com a cristianização do império sob Constantino I, no ano 325 da era cristã, porém só foram definitivamente suprimidos quase um século depois, graças aos esforços do Papa Santo Inocêncio junto às autoridades temporais de Roma. Inegavelmente, vitória e importante passo evolutivo no processo civilizatório do homem.

Está na hora de o povo brasileiro, a imprensa, as instituições, principalmente, as encarregadas de zelar por nossos fundamentos constitucionais, como o Ministério Público Federal e os legisladores, examinar à luz de espírito crítico e imparcial essa esdruxularia e, se necessário, submetê-la ao exame do Supremo Tribunal Federal, em arguição de descumprimento de preceitos fundamentais.
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*Amadeu Garrido de Paula é advogado.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CNJ recomendou a criação de varas da saúde e juizados do torcedor

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou em 2013 oito Recomendações aos tribunais de todo o país. Três delas foram editadas pela Presidência do CNJ e cinco pela Corregedoria Nacional de Justiça.
No início de agosto, o plenário aprovou por unanimidade recomendação para que tribunais de todo o país criem varas especializadas no julgamento de processos relacionados ao acesso à saúde (Recomendação nº 43, da Presidência). Na mesma decisão, o conselho recomendou ao Judiciário prioridade no julgamento de ações que envolvam planos e seguros de saúde.
De acordo com a decisão, a forma de instituir as varas especializadas em saúde deveria ser avaliada por cada tribunal, mas os conselheiros sugeriram a transformação de alguma vara da Fazenda Pública em vara da saúde. Com isso, não haveria necessidade de ampliar a estrutura das Cortes.
Em novembro foi publicada a Recomendação nº 44, que dispõe sobre atividades educacionais complementares para fins de remição da pena pelo estudo e estabelece critérios para a admissão pela leitura. A recomendação definiu as atividades educacionais complementares para a remição da pena por meio do estudo. Estabeleceu também os critérios para a aplicação do benefício nos casos em que os detentos se dedicam à leitura.

Uma das questões esclarecidas foi justamente as dos presos que estudam sozinhos e, mesmo assim, conseguem obter os certificados de conclusão de ensino fundamental e médio, com a aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA) e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), respectivamente.
Juizados do Torcedor - Na última sessão do ano, realizada no dia 17 de dezembro, foi aprovada Recomendação que sugere aos Tribunais de Justiça dos estados e do Distrito Federal e Territórios a criação, dentro de 30 dias, de Juizados do Torcedor e de Grandes Eventos. O objetivo da medida é melhorar as condições do Poder Judiciário para prevenir novos atos de violência em praças esportivas e preparar o País para receber grandes eventos, como a Copa do Mundo da Fifa 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, além de outros, como o carnaval e festivais de música de grande porte.
Conforme a recomendação os juizados terão competência sobre causas “cíveis, criminais e fazendárias”. Crimes de menor potencial ofensivo, conforme definido na Lei n. 9.099/1995 - que trata dos juizados especiais cíveis e criminais - também serão processados pelos Juizados do Torcedor e de Grandes Eventos.

Entre os atos editados pela Corregedoria, destaca-se a Recomendação nº 13, que padroniza os procedimentos a serem observados pelos juizados da infância e juventude na circulação de crianças e adolescentes no Brasil durante a Copa do Mundo Fifa 2014. O texto lista os documentos e autorizações necessários para crianças – brasileiras ou estrangeiras – viajarem e se hospedarem dentro do Brasil sem a presença dos pais durante o período do evento. A norma regula ainda a entrada de crianças e adolescentes nos estádios onde ocorrerão os jogos do Mundial e a participação de menores em ações promocionais da Fifa ou de seus patrocinadores.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Planejamento financeiro e mesada para crianças e adolescentes

(*) Por Marcus dos S. Mingoni

Um breve olhar sobre o dia a dia de nossas crianças e adolescentes mostra que a realidade atual é completamente diferen­te daquela vivida nas décadas de 1970 e 1980, quando se tinha apenas um par de sapatos para ir à escola e outro para “pas­sear”. Os brinquedos se resumiam a bolas, bonecas e jogos de tabuleiro. No mais, eram brincadeiras e atividades ao ar livre, nas quais a criatividade era mais uma neces­sidade do que uma habilidade. Não havia computador, internet, TV a cabo, videoga­me, celular e iPod. O acesso à informação e as opções de consumo cresceram de for­ma exponencial e, para temperar tudo isso, as estratégias de marketing estão cada vez mais agressivas e bombardeiam os jovens, que certamente não estão preparados para essa overdose de estímulos de consumo de uma infinidade de produtos e marcas.
Esse contexto, aliado a outros fatores sociais, tem proporcionado profundas trans­formações nos valores familiares e na ma­neira pela qual os filhos modernos se rela­cionam com seus pais. A demanda para os adultos de hoje é muito mais frequente e in­tensa. Os pedidos são feitos a todo instante, desde a roupa que “precisa” ter o desenho daquele personagem até o tênis de determi­nada marca que custa mais que um salário mínimo. Isso sem falar nos brinquedos, jo­gos, celulares e apetrechos tecnológicos que parecem ficar obsoletos a cada semana, gerando sensação crescente de insatisfação e novos pedidos de consumo. Duas per­guntas emergem desse quadro de maneira nítida: como administrar essas demandas que pressionam os pais em uma velocidade incrível e como ajudar a preparar os filhos para que se tornem cidadãos e consumidores conscientes, responsáveis, com visão crítica da realidade e conhecedores dos impactos de suas decisões.
Uma importante ferramenta é a famo­sa mesada. Se bem planejada e aplica­da, pode ser um instrumento muito útil no processo de educação, conscientização e amadurecimento dos filhos. Entre­tanto, o alerta é que o tiro pode sair pela culatra, caso o processo não seja bem ad­ministrado e monitorado. Antes de tudo, é fundamental que os filhos que receberão alguma quantia a título de “mesada” ou “semanada” sejam envolvidos no orça­mento familiar, com nível de detalhamen­to proporcional a cada faixa etária. Para crianças muito novas não faz sentido falar de valores de renda e despesas, mas já é possível explicar que é preciso trabalhar “duro” para ganhar dinheiro e comentar sobre os principais itens do orçamento que necessitam ser atendidos.
O primeiro passo na hora de propor a mesada é definir os combinados de utili­zação. O valor deve levar em consideração a idade da criança ou do adolescente e a condição econômica da família, para que fique dentro de uma lógica no seu contexto social e ambiente de convivência. A perio­dicidade também pode levar em conta a faixa etária. Para as crianças menores, é mais fácil administrar quantias a cada se­mana. Na medida em que ela cres­ce, pode-se alongar a periodicidade, pois o desafio de gerenciar intervalos mais longos será parte do aprendizado. Antes ainda de dar os primeiros reais a seu filho, uma dica que costuma ser útil é fornecer alguns co­frinhos, cada qual com um significado di­ferente, para que a criança possa dividir o valor recebido. Uma sugestão inicial é ter um cofre para guardar o valor que será utilizado para o consumo imediato, outro para juntar economias durante certo perío­do, permitindo a aquisição de algo que se deseja, aquele destinado a doações e um último para poupança no banco.
A estratégia dos cofrinhos será uma ótima oportunidade para conversar com seu filho a respeito de conceitos como pla­nejamento, disciplina e caridade. No que­sito poupança, os pais ainda podem esti­mular a criança criando regras de aporte conjunto, por exemplo, a cada real que a criança poupar o pai se obriga a contribuir também com mais um real. Para a estra­tégia realmente funcionar, são necessários alguns cuidados operacionais. Abra efe­tivamente uma conta poupança em nome do seu filho, mostre os extratos e explique os rendimentos. Isso dará concretude ao processo. Planejar o momento de entregar a quantia periódica também é importante. Tenha em mãos o dinheiro trocado para facilitar a organização da criança. Outro detalhe relevante é buscar informações em sua comunidade sobre instituições que pos­sam receber as doações de seu filho.
Existem mais alguns aspectos impor­tantes que devem ser explicados na hora de definir os combinados. Informe que não haverá antecipações e empréstimos. Ima­gine como seria trágico o futuro financeiro de uma criança acostumada a se endividar com a própria mesada. Explique os itens que você espera que sejam consumidos com a mesada. Sugira, mas não interfira na deci­são final. A liberdade de escolha faz parte do processo de aprendizado. Se a criança gastou tudo em figurinhas e faltou dinheiro para o doce, a ideia é justamente que ela aprenda a lição. Outra estratégia interes­sante é vincular a entrega do valor ao cum­primento de tarefas domésticas (arrumar o quarto, ajudar com a louça etc.). Isso contri­bui para o desenvolvimento do senso de res­ponsabilidade e começa a demonstrar que é preciso esforço para conquistar dinheiro.
Os pais são exemplos de consumido­res e poupadores para os filhos; atitudes coerentes são indispensáveis para que as crianças se sintam encorajadas a seguir as orientações paternas. Os filhos devem ser inseridos na realidade econômica da sociedade, sempre respeitando os limites naturais de compreensão de cada idade.
Comente sobre comerciais na TV e notícias econômicas relevantes. Esse ambiente con­tribui para que nossos filhos tenham noção das dificuldades que existem para conquis­tar as coisas e auxilia na formação de um espírito consciente e crítico com a reali­dade que nos cerca. A conclusão é que a mesada pode ser um instrumento extrema­mente rico, no sentido de permitir o desen­volvimento de valores como planejamento, organização, disciplina, caridade e consu­mo consciente, além de ajudar a preparar nossos filhos para tomar decisões tendo em perspectiva as reais consequências de seus atos. Pode dar trabalho, mas nesse investi­mento o retorno é muito compensador!

Referência bibliográfica: ALVIM, Marcelo Arantes; SOARES, Fabrício Pereira. Lar S.A. Você e sua família na rota da prosperidade. São Paulo. Editora Saraiva, 2007.

(*) Graduado em Administração de Empresas pela FGV, com MBA Executivo em Finanças pelo Ibmec, Marcus Mingoni é Diretor de Operações da Divisão de Sistemas de Ensino da Saraiva (www.sejaetico.com.br / www.souagora.com.br)