São José dos Campos, Brasil, 13 de agosto de 2013 – A Embraer Aviação Executiva
apresentou em coletiva de imprensa que antecede a 10ª edição da Latin American
Business Aviation Conference and Exhibition (LABACE), no Aeroporto de Congonhas, em
São Paulo, as novas funcionalidades do jato Phenom 100. A partir de agora, a Empresa passa
a oferecer novos equipamentos e configurações de série e opcionais, como spoilers de multifunção,
11 novas coleções de interior, assentos premium, além de duas novas opções de
armários para armazenamento de bebidas, alimentos e outros utensílios.
“Essas novas funcionalidades do Phenom 100 refletem o nosso trabalho de interação contínua
com os clientes”, disse Ernest Edwards, Presidente da Embraer Aviação Executiva. “O
Phenom 100 já é o jato executivo mais veloz e com o maior espaço interno da categoria entrylevel.
Com essas melhorias, a aeronave ficará ainda mais eficiente e confortável para atender
as necessidades de nossos clientes tradicionais, como pilotos-proprietários, departamentos de
voos corporativos e empresas de propriedade compartilhada.”
O spoiler de multi-função, superfície de comando de voo posicionada sobre a asa da aeronave,
apresenta duas novas funcionalidades, atuando como ground spoiler e speed brake. Em solo,
durante o pouso, ele ajuda aumentando o arrasto e reduzindo a sustentação, além de auxiliar
na redução de velocidade e execução de rampas mais inclinadas na fase de aproximação.
As 11 novas coleções de interior renovam o visual e o conforto da cabine com opções de
cores e materiais, como revestimentos em madeira em vez de laminados. A opção pelo
assento premium proporciona maior mobilidade, como capacidade de deslocamento lateral,
longitudinal e de rotação.
A Embraer Aviação Executiva tambémoferece como opcional um novo refreshment center,
que substitui o armário localizado na parte dianteira da aeronave. Com base em sugestões de
clientes, esse novo espaço funciona como uma galley compacta, servindo para armazenar
bebidas e alimentos, com cristaleira, compartimentos dedicados para gelo e resíduos, além da
opção de um reservatório aquecido para bebidas quentes, tudo em um só lugar e com um
design inteligente.
Um armário adicional na parte traseira da aeronave também é um novo opcional oferecido pela
Empresa. Instalado sobre o móvel já existente dentro do toalete do jato, o gabinete foi
desenvolvido cuidadosamente com gavetas e nichos, criando novos espaços úteis
principalmente para clientes que optam pelo quinto assento na cabine de passageiros.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Alexandre Villela relata que reunião evitou greve de merendeiras
O vereador Alexandre Villela (PMDB) afirmou que a Prefeitura e a SHA Alimentos se comprometeram a cumprir os direitos das merendeiras, principalmente em relação ao piso salarial. O encontro aconteceu na Câmara de Taubaté com a participação de representantes da categoria, da Prefeitura e da empresa prestadora de serviço.
Outros benefícios também foram abordados na reunião, como plano de saúde, cesta básica e vale-transporte, os quais, segundo o vereador, a administração municipal e a empresa responsável pela merenda se comprometeram a cumprir.
Alexandre afirmou que o problema do piso salarial seria motivador de uma greve, que foi evitada com o acordo firmado na reunião. Ele lembrou que, na época dos seis meses de contrato emergencial, o piso estava sendo cumprido, mas depois que a empresa venceu a licitação, “até a carne trocaram”.
O parlamentar afirmou que a Comissão de Educação da Câmara, da qual faz parte junto com as vereadoras Vera Saba e Pollyana Gama, continuará a fazer inspeção da merenda nas escolas.
Recursos
O vereador divulgou a conquista de uma verba de R$ 250 mil que deverá ser investida no Parque Monteiro Lobato, Horto Municipal e Parque Municipal do Jardim das Nações. Deverão ser realizadas melhorias na iluminação, pintura e espelhos d’água, além da criação de fraldário e academia ao ar livre.
Alexandre relatou que conseguiu, este ano, quase R$ 4 milhões em verbas junto ao Governo Federal, boa parte em relação a asfalto.
Ele pediu informações ao prefeito sobre a cobrança opcional anexa ao IPTU (Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana) em prol do Fundo de Manutenção do Corpo de Bombeiros. Ele quer saber quanto foi arrecadado, como está sendo investido o valor e se há um comitê gestor.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
A Saudade fala português...
Camões Filho
Saudade é uma palavra existente apenas em língua portuguesa. Quando outros povos pretendem exprimir esse sentimento, recorrem a outras palavras, como melancolia. Mas melancolia nada tem a ver com saudade, pois melancolia é um sentimento sempre triste, pra baixo, meio mórbido, mas a saudade pode ser triste, mas na maioria das vezes é gostosa, nos aquece o coração. Portanto, esse é um privilégio só nosso, sentir saudade e exprimi-la nessa bonita palavra.
Deve ser por isso que outros povos, especialmente os de língua inglesa, são tão amargos ao exprimir saudade. Talvez foi pensando assim, que Charles Chaplin disse: “Quem te faz chorar, não te merece”.
Hoje, fuçando no meu baú de memórias, encontrei um antigo texto, que fala de saudade. A saudade, que fala português...
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse,
decerto gostaria de experimentar.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de faze;
dos livros que li e que me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o quê,
não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
em japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade,
por eu ter nascido brasileiro,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente, quando estamos desesperados,
para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Seja lá como possamos traduzir saudade
em outra língua, nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente,
a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar
todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis,
de que amamos muito do que tivemos e lamentamos
as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...
Sentir saudade é sinal de que se está vivo!
E você aí, tem saudades de quê?
CAMÕES FILHO, jornalista, escritor e pedagogo. E-mail: camoesfilho@bol.com.br
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Para meu pai
Camões Filho
Queria fazer uma crônica para meu pai... e foi com esse pensamento, que me lembrei dos meus tempos de criança.
Quando era moleque, passar as férias escolares no sítio de meu pai, na roça, era uma festa. Muitos dias antes da viagem começavam os preparativos. Juntava numa velha mala, presente de minha avó, gibis, livros, figurinhas, estilingue, bolinhas de gude. Mais uns três pijamas de flanela – era muito frio lá no sítio do Borba – minhas calças curtas de suspensórios sempre do mesmo pano e as camisas sempre com vermelho, verde e marrom formando o xadrez do brim grosso. Quando percebia, a mala estava abarrotada de badulaques. Assim como um saco branco, desses de trigo das padarias, onde jogava tudo que não coubera na mala.
No dia marcado acordávamos bem cedo. E seguíamos, eu, minha mãe, meu pai. O caminhão leiteiro, a única condução possível, parava no ponto de um armazém, repleto de roceiros e matutos. Mamãe viajava na cabine, lugar mais confortável, e por mais que insistisse eu seguia na carroceria, agarrado com meus bracinhos curtos à longarina. Era para mim o paraíso ouvir os caboclos, com suas vozes caipiras, cuspindo de lado, mascando fumo. Sentia-me gente, mais adulto em meus oito anos.
Na roça, a vida era incrivelmente bela em seu dia-a-dia comum. Leite tirado na horinha com açúcar e Toddy, assalto aos pomares, andanças de cavalo. E ouvir fantasmagóricos “causos” no pé do fogão, tremendo de frio e medo. Caçar passarinho, banhar-me num ribeirão cujas águas jamais passavam de meus joelhos, colecionar os meus incríveis insetozinhos, eram as coisas gostosas daqueles tempos.
No entanto, ficava intrigado com os morros, fantasmas à minha frente. Minha mãe, com seus cuidados ao filho caçula, não me deixava subir neles. A tardezinha, vendo a algazarra das seriemas e o gado pastando, eu me punha a imaginar: que existiria além daquelas serras? Foi um desafio que jamais logrei desvendar. Aquelas serras, com velhas e esparsas árvores, eram minha fronteira, minha prisão.
Na ampulheta do tempo a areiazinha fez seu vai-e-vem repetidamente. Cresci e cresceu minha calça que também perdeu o suspensório de pano. O sítio do Borba nunca mais tive frente meus olhos. E agora que já sou adulto, que posso ultrapassar todos os morros do mundo para saber o que existem lá do outro lado, fica-me a lembrança do menino que um dia fui. E o tempo se agiganta feito um iceberg, morro dos morros, Everest intransponível e acredito que jamais saberei o que existe além das serras, do outro lado...
MEU PAI
Camões Filho
Meu pai
era de uma austeridade tão doce
mas tão doce
que às vezes eu reinava
e reinava
só para vê-lo zangado.
Meu pai
jogava truco
montava cavalo
e vivia debaixo de um chapéu de palha
igual personagem de aquarela primitiva.
Meu pai
acordava tão cedo
mas tão cedo
que por mais que eu tentasse
surpreendê-lo na cama
ele chegava mais cedo
e roubava a alvorada!
CAMÕES FILHO, jornalista, escritor e pedagogo. E-mail: camoesfilho@bol.com.br
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
A INTRODUÇÃO DE MARCA INTERNACIONAL NO BRASIL
* Edson Lopes
Introduzir uma marca no Brasil não é a tarefa das mais fáceis. Além de ser um país extenso, formado por diversas culturas, temos um mercado bastante competitivo. Os preços praticados por aqui não são altos e o retorno não acontece de maneira imediata. Mas, para quem pensa desenvolver o startup de uma empresa internacional é importante saber que as oportunidades que são oferecidas não se enquadram no modelo vender, pegar o dinheiro e ir embora. Para se estabelecer no desejado mercado econômico brasileiro há um caminho a ser trilhado. E para que esse trajeto não seja sem rumo, o mais acertado a fazer é encontrar um especialista local que guie e lidere a empresa nessa empreitada.
Já fui responsável pelo start de cerca de dez empresas no país, e embora a motivação de cada uma delas tenha sido diferente, alguns pontos convergem e ajudam a mostrar se é ou não hora de avançar no mercado tupiniquim. O primeiro passo, apesar de parecer obvio, é identificar se há um real interesse da corporação de se fazer presente por aqui. Em alguns casos ela quer ter seus produtos ou serviços oferecidos, mas não necessariamente queira manter uma empresa física, podendo operar por representação ou distribuidores. Após a avaliação das alternativas e uma vez que a resposta para essa pergunta seja sim, vem a hora de avaliar se a conjuntura política e econômica são favoráveis para tanto.
Estudar o mercado de atuação, perspectivas do negócio, tendências e barreiras e entrada e de saída, são fatores fundamentais para quem quer ser bem sucedido nesse processo de introdução de marcas. Avaliar o potencial de vendas e, principalmente, a rentabilidade se fazem também bastante relevantes nesse período. Já vivencie empresas muito boas, com excelentes produtos, mas que encontraram no Brasil um mercado ainda verde, que não era capaz de absorver o que estava sendo oferecido. Frente a essa situação, tínhamos que avaliar se era uma oportunidade de mercado ou se era um sinal de fracasso certo.
Nessas horas me lembro da conhecida fábula sobre o Vendedor de Sapatos – que conta que uma empresa de sapatos envia dois consultores para avaliarem o mercado de calçados na Índia e cada um deles retorna com duas opiniões divergentes sobre o sucesso empresa no país. Enquanto um sugere que a produção de sapato seja cancelada, pois no local ninguém usa sapato, o outro pede que a produção seja triplicada, usando o mesmo argumento: ninguém usava sapatos. É preciso saber qual direcionamento tomar e isso só é possível com intersecção de informações.
Decidido que é momento de atuar no Brasil e que tudo conspira a favor da empresa, aparece a segunda grande decisão: montar uma empresa do zero ou comprar um player de mercado para acelerar sua instalação? Essa resposta vai depender um pouco da pressa que a empresa tem para se estabelecer e iniciar suas operações – e também do mercado de atuação, pois em alguns setores para o início efetivo das atividades pode demorar mais de cinco anos, devido à burocracia. Importante reforçar que se a escolha for de adquirir uma empresa existente, é imprescindível que haja a verificação do seu passivo. Quanto menor, melhor.
Agora que já houve a escolha do modelo de entrada, chega uma etapa que considero uma das mais importantes para o sucesso dos negócios. Trata-se da elaboração da estratégia a ser desenvolvida e que será decisiva para tornar possível atingir os objetivos determinados. Aqui é importante que a empresa se cerque de profissionais competentes que consigam dar o suporte necessário em cada uma das áreas envolvidas. No Brasil, em específico, os entraves jurídicos e regulatórios são um capítulo a parte. O melhor conselho que posso dar para minimizar as dificuldades é que os responsáveis comecem a resolver os assuntos passo a passo, eliminando as dificuldades uma a uma durante a etapa da implantação.
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* Edson Lopes é CEO da Bracco Imaging do Brasil, responsável pela instalação da operação da empresa na América Latina. Já passou por empresas como a Esaote Healthcare, Ultrasonix Medical Coorporation e GE.
sábado, 3 de agosto de 2013
Agosto com gosto de saudade...
Camões Filho
Dia desses conversava com um amigo, desses que a gente fica anos sem se ver e quando encontra parece que precisamos de todo o tempo do mundo para matar a saudade. E eu lhe dizia que agosto sempre foi um mês aziago, especialmente na história do nosso país, mas que eu tenho saudades de alguns fatos ocorridos comigo em agostos idos. Especialmente de um certo agosto com gosto de saudade.
Saudade... palavra só existente na língua portuguesa e que às vezes corta nossos corações feito faca amolada. Luiz Fernando Veríssimo nos alerta: “Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu”.
Se o tempo não pára, só a saudade faz o tempo parar e nos trazer de volta fatos idos e vividos. Como de um amarelado papel que recentemente encontrei entre meus achados, com coisas costuradas por mim com outras que vi por aí, falando de saudade...
Ando com saudades de café com pão. Mas daquele pão do padeiro que percorria as ruas da Vila São José, onde morava o Camõesinho, e que nos trazia em uma cesta presa na sua bicicleta o pão nosso de toda tarde, sempre quente e fresquinho.
Saudade dos namoricos no portão, onde a gente só conseguia roubar um beijinho da namorada na hora da despedida.
Saudades...
De pedir bênção a pai e mãe e eles nos responder docemente: "Deus te abençoe, meu filho".
De ver um varal cheio de roupa, balouçando seu colorido ao sabor do vento.
De cantar toda sexta-feira na escola o Hino Nacional, sonhando todos os sonhos do mundo.
Sentir a emoção de ver a Seleção Brasileira entrando em campo nas Copas do Mundo.
De saber que ninguém mais vai morrer de dengue, febre amarela, gripe suína.
Saudades de quando os homens usavam apenas o assobio como galanteio. E as moças passavam de nariz empinado, fingindo que não gostaram.
Saudades do macarrão da mama, do guaraná de festa, da pipoca do pipoqueiro da esquina.
De homens de gravatas, de novela com final feliz, de ouvir alguém dizer “obrigado”.
Saudades de ver o céu com pipas coloridas, de ler gibi, de trocar figurinhas.
Saudade da velha Praça D. Epaminondas, onde a gente se encontrava com os amigos e traçava planos sem sequer imaginar onde estaríamos e o que faríamos em um certo agosto de 2013...
CAMÕES FILHO, jornalista, escritor e pedagogo. E-mail: camoesfilho@bol.com.br
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
“O cliente sempre tem razão”, será?
* Rosemeire Conceição
A máxima “o cliente sempre tem razão” vem sendo, definitivamente, questionada, em decorrência do crescimento expressivo das práticas de má-fé por parte de alguns consumidores, que se aproveitam dos canais de defesa do consumidor para tirar vantagem em determinadas situações. O fenômeno indica ainda outros problemas: a precariedade da relação entre fornecedor e consumidor e também o desvirtuamento das lei por parte dos consumidores.
Prova disso é a enxurrada de reclamações que são levadas ao Procon e aos juizados de pequenas causas, que poderiam ser evitadas se os fornecedores desenvolvessem maior habilidade em se relacionar com o consumidor para resolver possíveis problemas com os seus produtos. O procedimento tornaria mais fácil identificar a veracidade das reclamações.
Ao contrário disso, muitos fornecedores preferem criar dificuldades para verificar se, de fato, há problema com seu produto e a partir daí apresentar solução sob a justificativa de evitar má-fé do comprador, o que prejudica o consumidor honesto e cria o ambiente favorável para os compradores de má-fé agirem.
Outro fator que facilita a ação daqueles que agem de má-fé é o fato de o Procon , órgão que recebe por mês mais de 60 mil queixas só em São Paulo, não contar com nenhuma política capaz de apurar fraudes, seja do lado do fornecedor ou do consumidor.
De um lado há despreparo dos fornecedores e de outro, nos deparamos com a realidade de termos um Código de Defesa do Consumidor relativamente novo. Passaram-se quase 23 anos desde sua criação, mas apenas no ano passado abriu-se a discussão sobre quais outros temas deveriam ser abordados no CDC, principalmente relacionados às compras pela internet.
Um dos pontos do CDC que continua gerando controvérsia é a inversão do ônus da prova, que é justamente um dos reforços à crença de que o consumidor tem sempre a razão, já que, através desse instituto, que consiste na transferência da obrigação de trazer ao processo as provas de ausência de culpa ou dolo no ato que resultou nos fatos, o fornecedor pode ver-se obrigado a provar o contrário.
Todavia, esse, que deveria ser um instrumento utilizado com cautela pelos juízes, acabou por ser, muitas vezes, banalizado, tendo se tornado regra em diversas Comarcas do Brasil, em ações nas quais são objetos as variadas relações de consumo, sendo que muitas vezes a determinação de inversão sequer guarda esta relação com a questão de dolo ou culpa, mas com os fatos em si.
Outra situação curiosa é a facilidade com a qual os juízes têm concedido medidas acautelatórias em ações que envolvem relações de consumo.
Recentemente vimos divulgados na imprensa uma situação absurda, na qual alguns consumidores aproveitam-se dessa facilidade trazida pela sua já presumida hipossuficência. Os aposentados, pensionistas e funcionários de algumas classes, após contratarem com instituições financeiras para obtenção de empréstimo através de crédito consignado, propunham ações alegando desconhecer tais negócios jurídicos e pleiteando a concessão de medida antecipatória de tutela para suspender os descontos em suas folhas de pagamento ou benefício previdenciário.
Em decorrência da presunção da verdade dos fatos alegados pelas partes aí consideradas frágeis, os juízes, antes mesmo de ouvirem os fornecedores, estavam concedendo a medida acautelatória e determinando a suspensão de tais descontos.
A surpresa veio depois, quando se descobriu a existência de uma quadrilha que utiliza-se deste meio tão somente para conseguir a liberação da margem consignável das verbas destes "frágeis" consumidores para, na sequência, estes terem a liberdade de contratar com outras instituições que poderão vir a ser as suas próximas vítimas. Com tal articulação, os pensionistas/aposentados viam-se livres da dívida, já que o primeiro fornecedor contratado acabava por ser impossibilitada de voltar a consignar as parcelas, por ausência de limite, já que tais descontos, por força de lei, não podem superar 30% (trinta por cento) dos vencimentos mensais.
O que se nota é que, no país do “jeitinho”, o CDC, que é visto em muitos países como modelo, têm sido utilizado de forma desvirtuada, beneficiando pessoas de má-fé e prejudicando fornecedores e consumidores de boa-fé.
O pacote de medidas denominado Plano Nacional de Consumo e Cidadania, que visa criar mais mecanismos para garantir a melhoria da qualidade dos serviços e estimular o desenvolvimento das relações de consumo, pode colaborar com o progresso na solução dos problemas provenientes desse tipo de relação.
Todavia, a criação indiscriminada de leis não é suficiente para trazer a diminuição das demandas e, embora tal pacote possa colaborar com o avanço nas relações de consumo, já que uma das metas será a melhoria do pós-venda, que é um dos fatores que gera milhares de reclamações, esta medida sozinha não colaborará com a solução dos problemas. É fundamental que os fornecedores busquem resguardar-se da melhor forma possível, sempre mantendo registro das relações mantidas, de modo a ter provas que possam solucionar as questões de forma administrativa e, em última hipótese, judicial.
Gerar custos aos cofres públicos com reclamações legítimas não é um problema, é um direito. Mas criar um ambiente propício para que consumidores mal-intencionados tentem obter vantagens, atrapalhem a Justiça e ainda façam a sociedade pagar a conta é vergonhoso e injusto.
Um meio que certamente seria eficaz neste combate é a aplicação de multa por litigância de má-fé para os casos nos quais seja constatado que o pedido do consumidor não esteja condizente com a realidade dos fatos, conforme permite o Código de Processo Civil. Isso porque, infelizmente, algumas pessoas só aprendem quando a penalidade vai além da simples repreensão moral e atinge o seu patrimônio.
* Coordenadora da área de consumidor do Sevilha, Arruda Advogados.
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