sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Uma guerra sem fim


As décadas passam e o comportamento tanto do homem quanto da mulher tem mudado através dos anos. O desencontro e o descompasso entre eles é nítido e claro. Existe uma relação de força, da busca da perfeição. Ambos procuram coisas diferentes, as exigências estão cada vez mais estampadas no rosto da        “Femme Fatale” . Uma parte significativa das mulheres deseja conhecer e se relacionar com um Apolo, pois a beleza é algo que faz parte do inconsciente feminino. Ela é agradável e impactante, entretanto, o culto à beleza parece não ter fim.
                Agora, uma outra questão é objeto de uma analise mais profunda, ela é de ordem financeira. A maioria das pessoas associa o dinheiro, a riqueza com a felicidade, então eu diria: ”A felicidade independe de classe social, Etnia e religião”. Ela é simplesmente um estado de espírito. Esta minha visão parece ser utópica, então vamos analisar esta situação que vou apresentar agora. Imagine uma família simples que mora no campo, vivendo com o necessário, tendo algumas galinhas, uma horta e um chiqueiro com alguns porcos. Diante deste quadro apresentado, as pessoas diriam em sua maioria, que não conseguiriam viver nesta situação, pois vão alegar um certo desconforto em não possuir aparelhos eletrônicos, carro, piscina e etc... Agora eu lhes pergunto: Será que a mídia não contribui para este consumismo exagerado? Na minha ótica, o dinheiro trás  com certeza o conforto, comodidade e uma sensação de prazer, mas não a felicidade.
 Agora retornando ao assunto, homem e mulher, ambos devem esquecer o perfeccionismo e procurarem mais as afinidades entre eles, assim as chances de se formarem casais harmoniosos são grandes. Infelizmente a falta de paciência, comprometimento, respeito e a busca por um objetivo incomum é a marca registrada dos casais contemporâneo. As queixas de ambos os lados são mordazes e pontuais, com isso, o dialogo se faz necessário para se chegar a um denominador comum. Do contrario, estabelecer-se-á uma batalha sem fim, onde não haverá vencedor. Deus em sua infinita sabedoria, criou o homem e a mulher com suas características peculiares, portanto, não devemos perder a nossa essência. Nos dias de hoje, exige-se muito um do outro, a quebra de braços reflete claramente o que está acontecendo com a nossa sociedade. Ela esta doente e pede socorro. Diante deste quadro desolador, restam casais destruídos, famílias em frangalhos, adolescentes sem rumo e por ai vai.
Não vamos fazer um relacionamento igual a um jogo de pôquer, onde ambos escondem suas cartas nas mangas. Vamos, sim, jogar limpo, jogar as cartas na mesa com dignidade, respeito e honestidade e sem blefar. Aqui vai uma mensagem para se refletir. Mulheres, lutem ao lado de seus namorados, noivos e esposos, tendo-os como aliados e não como adversários.
Como disse o poeta: “Dinheiro faz homens ricos, o conhecimento homens sábios e a humildade faz grandes homens”.
Autor: Professor Amauri Xavier dos santos
Email: amauricollins@bol.com.br

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O CANTO DA SEREIA E O PRÓXIMO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL

O TEXTO ABAIXO É DO COMPANHEIRO IRANI LIMA


A 16ª legislatura está para começar. Os 19 vereadores eleitos no dia 7 de outubro tomarão posse neste dia 1º de janeiro, às 16 hortas, em solenidade a se realizar na Associação dos Empregados no Comércio de Taubaté.

Até aí tudo é festa: abraços, cumprimentos, elogios, augurar sorte aos colegas que chegam e aos que permanecem na Câmara pela vontade do eleitor.

Será um momento único na vida daqueles que tomarão posse pela primeira vez.

A festa republicana, de congraçamento entre vereadores empossados, amigos e familiares termina neste instante.

Os neófitos vão entender que acordos fechados antes do Natal para votar neste ou naquele candidato a presidente da Câmara Municipal não valem mais.

Cada vereador tornar-se-á um parlamentar, com direito a decidir o que considera melhor para a Casa.

Houaiss ensina que parlamentar é um verbo transitivo indireto e intransitivo e significa fazer negociações, conversar em busca de um acordo.

Cada vereador eleito é um parlamentar.

Portanto, cada vereador é dono de uma procuração para conversar e negociar em nome de seus eleitores e daqueles que não os sufragaram.

Há fumaça de que o acordo para eleger a vereadora Graça (PSB) presidente da Câmara Municipal de Taubaté está se esvaindo.

O xadrez que se joga nos bastidores da Câmara Municipal não é aquele que o eleitor vê ou ouve nas entrevistas concedidas pelos litigantes.

A conversa intra muros é bem diferente da que chega ao conhecimento da população.

Alguém parou para pensar que o próximo presidente da Câmara Municipal poderá, eventualmente, ser prefeito de Taubaté?

Com certeza já pensaram, tanto que há quem aposte no desgaste natural da vereadora Graça para ocupar o cargo.

Acenam com a desculpa que o primeiro ano da próxima legislatura será difícil e a vereadora não teria musculatura política suficiente para conduzir a Câmara Municipal com a independência necessária e desejada.

O que está por trás do cenário que o eleitor desconhece é a luta que se trava entre os 19 atores pelo poder de dirigir uma das mais importantes casas legislativas do país.

O próximo presidente da Câmara não será um mero coadjuvante no teatro político que se estabeleceu em Taubaté desde que o Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação do registro do candidato vencedor do pleito, o tucano Ortiz Júnior.

O futuro presidente da Câmara Municipal de Taubaté poderá ser alçado à condição de estrela da companhia. Poderá ser prefeito no caso de Ortiz Júnior (PSDB) ser defenestrado do Palácio do Bom Conselho pela Justiça Eleitoral.

O mais ardiloso dos vereadores eleitos é Joffre Neto (PSB).

Seu discurso moralista pode soar como o canto da sereia para os novos colegas. Parece bom, mas é desafinado e de péssima qualidade.

Joffre Neto saiu da penumbra política em que se encontrava para assumir seu lugar no palco das decisões políticas por uma conjugação de fatores que o favoreceram, inclusive a desastrada administração do prefeito Roberto Peixoto, que vive seus últimos momentos na ribalta administrativa.

O vereador eleito soube capitalizar o descontentamento popular com a administração Peixoto e cooptar novos e apaixonados seguidores à sua causa que não é, necessariamente, a dos taubateanos que amam esta urbe.

Ambicioso, Joffre encobre à perfeição sua real intenção: ser prefeito desta urbe, mesmo que seja por alguns meses, até que nova eleição seja marcada para a escolha de um novo prefeito da cidade.

Seria o ápice na carreira política de Joffre Neto que, ao longo da vida, colecionou mais desafetos que amigos por ser arrogante e capaz de atitudes sórdidas para alcançar seus objetivos.

Este blog roga aos novos parlamentares taubateanos que continuem conversando e negociando, pois para isso foram eleitos, sem venderem seus votos.

Os compromissos assumidos anteriormente, no calor da eleição recém-conquistada, não valem mais.

Não há vergonha, portanto, numa possível mudança de candidato.

A responsabilidade que pesa sobre os ombros de cada um dos 19 vereadores eleitos é imensurável.

Numa decisão colegiada histórica para a vida política de Taubaté, 19 parlamentares vão escolher não somente o próximo presidente da Câmara Municipal, quiçá o futuro prefeito desta urbe.

Esta e outras informações podem ser lidas em nossa fã page.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Natal, tempo de reflexão



Chegou dezembro, o mês de nascimento do Criador, um período de transformação, renovação e reflexão. A espiritualidade invade nossas mentes através de gestos simples, mas muito significativos, como ajudar os menos favorecidos, oferecendo-lhes ajuda material e espiritual.
Deus ama os humildes, pois em cada lar, em cada rosto, ele está presente.
Este é um período de muitos presentes, mesas fartas, bebidas, ceias maravilhosas e da figura do “Papai Noel”, que infelizmente toma espaço do aniversariante.
O fascínio pelo homem da barba branca cativa principalmente as crianças através de brinquedos, uma verdadeira maquina de fazer sonhos. As atenções são desviadas para os presentes e sonhos de consumo.
Precisamos sim, deixar nossas vaidades de lado e desligar um pouco deste mundo consumista para dar espaço à fraternidade e à bondade.
Aqui vai uma mensagem aos pais:
Ensine aos seus filhos que Jesus não é coadjuvante nesta festa de natal e sim a figura principal.
Vamos fazer esta estrela de Belém brilhar cada vez mais em nossos corações, tornando nossas vidas mais harmoniosas. Que tal convidar o aniversariante a entrar em nossos lares para celebrar este momento impar?
Esta é uma singela mensagem aos meus leitores. Desejo-lhes um natal Santo e abençoado.
Autor: Professor Amauri Xavier dos Santos
Email: amauricollins@bol.com.br

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Evidências de dezembro


Camões Filho

         Vejo por aí algumas evidências e pressinto que dezembro chegou.
Primeira evidência são alguns anúncios vendendo tudo que é mercadoria falando em sinos bimbalhando. Você já percebeu que os sinos só bimbalham no mês de dezembro?
         Depois surgem uns velhinhos de roupa vermelha, suando e sofrendo com suas pesadas roupas em pleno verão de 38 graus. E eles ainda têm que ouvir crianças ranhetas e pais chatos e soltar uns risos falsos, fazendo ho-ho-ho, balangando também suas falsas barrigas.
         Brasileiro adora copiar coisas do exterior e as casas são enfeitadas com neve artificial e umas bolas coloridas, que nunca entendi seu significado.
         Ah, se pintar um punhado de artistas na sua telinha, todos vestidos de branco e cantando que “hoje é um novo tempo...”, não dá outra. Dezembro chegou.
         Peru, leitoa, panetone, champagne? Dezembro puro.
Se você for jantar em um restaurante e lá no canto, de um grupo animado levantar-se uma pessoa e começar a dizer “o meu amigo secreto é...”, pode apostar quanto quiser. É dezembro.
         O carteiro, lixeiro, entregador de jornais deixaram uma cartinha pra você, não se iluda. Dezembro já está enfeitando o seu calendário.
         Ah, não... alguém cantando Jingle Bell? Dezembro, por certo.
         Sua sogra, que pegou no seu pé durante o ano inteirinho, começa a lhe tratar cheia de dengo? Milagre de dezembro.
         Aquele parente distante, que faz séculos que você não vê, liga lhe desejando isso e aquilo? Dezembro, lógico.
         Seu cunhado lhe presenteia com um par de meias e diz que, se você quiser retribuir, pode ser um tablet? Artimanhas de dezembro.
         Arroz de forno, rabanada, muita gente, confusão? Não desconfiou de nada não? É dezembro.
         Você recebe um pacote de contas pra pagar em janeiro, IPTU, IPVA, IR, matrícula escolar. Claro que estamos em dezembro.
         Você faz um balanço do ano e vê que não fez nem a metade de suas resoluções de ano novo. Sim, é dezembro, meu caro.
         Pois é, amigo, essas são as evidências de dezembro. O ano está chegando ao fim e qual a sua impressão: você acha que ganhou ou perdeu mais um ano? Pois é, típica reflexão de dezembro.
         E não vamos nos esquecer, em meio a tanta comilança, bebidas, festas, que é dezembro, mês do aniversário daquEle que deu a vida para nos salvar. E, modestamente, deste escriba.
         E você aí, já percebeu que estamos em dezembro?

---------------------------


Camões Filho, jornalista, escritor e pedagogo, é membro titular da Academia Taubateana de Letras.
E-mail para contato com o autor:  camoesfilho@bol.com.br

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A mulher e a quimioterapia


Camões Filho


         Hoje peço licença para tratar de um assunto muito sério.
Você já conviveu com uma pessoa com câncer? É uma situação delicada para todos, amigos, família, pai, mãe, filho, filha. Eu infelizmente já passei por isso, tendo convívio com pessoas queridas acometidas por essa doença que continua desafiando a ciência.
O homem já foi à lua e a sonda Voyager 1, a Nasa divulgou segunda-feira (3), entrou em uma nova região do nosso Sistema Solar que pode ser a última “camada” antes do fim da heliosfera, espécie de bolha magnética criada pelas emissões do Sol que protege os planetas das radiações do espaço interestelar.
A Voyager foi lançada em 1977 e é a construção humana mais longe do Sol - atualmente, ela está há mais de 18 bilhões de quilômetros de distância da Terra. Os sinais emitidos por ela levam cerca de 17 horas para chegar até o nosso planeta.
Enquanto isso o câncer, que está perto dos cientistas, acometendo tanta gente, não tem remédio eficaz, completo, para combatê-lo. Com isso, restam alguns tratamentos, como a quimioterapia e a radioterapia, invasivos e agressivos.
A químio afeta psicologicamente a mulher, fazendo-a perder os cabelos. Algumas tiram essa questão de letra, mas a maioria sofre muito nessa fase do tratamento, afetando sobremodo sua auto-estima.
Hoje vou contar uma história, falando de um mulher notável. Que sua lição sirva de exemplo para muitas mulheres, que estão neste momento submetendo-o à quimioterapia.

Uma mulher acordou uma manhã após a quimioterapia, olhou no espelho e percebeu que tinha somente três fios de cabelo na cabeça.
- Bom - ela disse -, acho que vou trançar meus cabelos hoje.
Assim ela fez e teve um dia maravilhoso.
No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça.
- Hummm – pensou ela -, acho que vou repartir meu cabelo no meio hoje.
Assim ela fez e teve um dia magnífico.
No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça.
- Bem – ela disse pra si mesma -, hoje vou amarrar meu cabelo como um rabo de cavalo.
Assim ela fez e teve um dia divertido.
No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça.
- Yeeesss... - ela exclamou -, hoje não tenho que pentear meu cabelo!

Lindo, né? Que mulher maravilhosa.
Cada uma das pessoas com quem convivemos está travando algum tipo de batalha. Por isso, ame generosamente. Fale com gentileza. E agradeça a Deus todos os dias.
Um dia nós vamos viajar mais distante do que a Voyager, vamos conhecer todos os mistérios do mundo. Mas enquanto estivermos aqui, vamos fazer valer a pena esse milagre chamado vida...


---------------------------

Camões Filho, jornalista, escritor e pedagogo, é membro titular da Academia Taubateana de Letras.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Geração do Medo


A união entre o homem e a mulher é algo sagrado e bíblico, por isso este tema ainda continua sendo atual e conseqüentemente, muito debatido entre a população. Todo mundo procura alguém, alguém que se encaixe em nossos sonhos. Neste momento, começam a aparecer os reais interesses desta união como: o aspecto físico, financeiro, a conveniência e o verdadeiro sentimento que é o amor, que une as pessoas é colocado em segundo plano. Existem casamentos que são baseados no fator financeiro, como se esta união fosse uma firma, uma empresa cujo objetivo maior é multiplicar o capital, uma verdadeira corrida ao prazer do consumo, a busca do status.
Eu, como cristão que sou, procuro encarar esta instituição chamada “Casamento” como uma realização plena do ser humano em todos os sentidos.
O resultado do amor entre o casal será a família, a vinda dos filhos, a formação de um núcleo feliz. Mas nesta caminhada surgirão desafios, problemas de ordem financeira, conflito de ideais, entretanto; Tudo isto poderá ser resolvido através da compreensão, companheirismo e principalmente, através do amor porque todos estão no mesmo barco. Portanto devemos remar numa só direção. Com isso teremos a tranqüilidade suficiente para buscar a felicidade tão almejada. Dizem por ai que o casamento é uma instituição falida, será que falidas não são essas pessoas?
Nestas últimas décadas tem havido um crescimento considerável em números de casamentos realizados, mas os divórcios seguem na mesma proporção. Isto é um reflexo claro de que as pessoas buscam a individualidade e não o interesse coletivo.
Os casais estão em “pé de guerra”, jogos de interesses, fogueiras de vaidades, o egoísmo falando mais alto. O amor que é a peça chave está se transformando em algo inatingível, o medo de se entregar e de se permitir. O ceticismo está controlando nossas mentes. Por isso eu considero esta, uma geração do medo. As pessoas não conseguem mais sentir algo sublime, singular e encantador, porque perderam a esperança e não acreditam mais neste sentimento chamado Amor. Um sentimento que muda as pessoas, que pára as guerras, que une famílias e povos. Este é o verdadeiro amor porque vem do Criador, portando ele é eterno. Aqui deixo uma mensagem de esperança e otimismo. Se uma união for bem alicerçada nos reais valores do ser humano através da fé em Deus, assim poderemos construir uma verdadeira família. Casas são construídas com tijolos e lares com amor.

Autor: Prof. Amauri Xavier dos Santos
Email: amauricollins@bol.com.br

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Taubaté era assim...


Camões Filho


Para a minha querida cidade de Taubaté, que neste dia 5 de dezembro comemora 367 anos.

Taubaté conta hoje com mais de 180 mil veículos. É muito carro para uma cidade tricentenária, com ruas estreitas, um trânsito caótico, ruas centrais apertadas e sem calçadas adequadas, com uma população de 300 mil pessoas que se espremem como podem.
Além da falta de visão e planejamento de nossas autoridades, alia-se o fato de que Taubaté experimentou um crescimento assustador há trinta, quarenta anos.
Quando era garoto, o bairro onde morava, a Vila São José, não tinha uma rua sequer asfaltada. A primeira via a receber asfalto foi a nossa, a antiga Rua 2, hoje Professor Bernardino Querido, graças a uma iniciativa do Sr. Justo dos Santos, que era nosso vizinho. Ele era presidente de um clube de futebol, o Nova América, pessoa muito querida no bairro, e saiu batendo de porta em porta, com um abaixo-assinado, para que a nossa rua fosse asfaltada. Lembro-me que os moradores, a esmagadora maioria trabalhadores de baixa renda, como meu saudoso pai, pagaram religiosamente pelo benefício em longas parcelas mensais.
Estávamos no final dos anos cinqüenta e, menino pobre, nem fiquei sabendo que o Brasil, que havia perdido em casa a Copa do Mundo, tinha se sagrado campeão do mundo pela primeira vez.
Estudava na escola na Casa do Menor de manhã. As tardes eram de brincadeiras naquelas ruas descalças e poeirentas, por onde não passavam um carro sequer. Em todo o bairro só um morador, Seu Cardoso, tinha carro, um velho Ford Bigode, que mal saía da garagem.
À tardinha ao ouvir o tilintar de um sininho, algumas donas de casa saíam no portão com uma caneca de ágata. Logo aparecia um senhor, cujo nome minha memória perdeu ao longo dos anos, tocando umas trinta, quarenta cabras. Ele parava no portão de cada freguês, ordenhava uma cabra, ofertando um leite espumoso, que diziam curava até tuberculose, uma doença que grassava à época naquelas vilas pobres, ceifando muitos pais de nossos coleguinhas.
Ele seguia tranqüilo com seu rebanho. Imagino essa cena nos dias de hoje, na Taubaté de 180 mil carros. O caos seria tamanho que viraria manchete no Jornal Nacional.
Tinha também o vendedor de quebra-queixo, de pães, o pipoqueiro, que passava sempre às quatro horas, o homem do biju, com um latão cuja tampa era um joguinho com pregos formando um tabuleiro. Se a roleta parava no número dois, por exemplo, a gente comprava um biju e levava dois.
Uma vez por semana vinha um mascate, um turco que vendia lençóis, colchas, toalhas. Foi dele que minha mãe comprou uma calça comprida preta – a primeira, quando aposentei as calças curtas, que era à época um rito de passagem – e uma impecável camisa branca, para a celebração de minha Primeira Comunhão, que foi ali naquela capelinha da Avenida Faria Lima, que naquele tempo chamava-se Cavarucangüera. Com trema e tudo, antes da reforma gramatical.
Havia também uma figura bastante popular, o amolador de facas e tesouras. Ele se anunciava com uma gaita. Parava numa esquina, e as pessoas chegavam com suas facas cegas. Vi muitas donas de casa de avental que tinham suas facas amoladas e corriam pra cozinha, para fatiar a mistura do dia.
Ele vestia um paletó surrado, calças largas, camisa cáqui e precatas de couro. Na cabeça um chapéu de abas caídas, que cobriam seu rosto, escondido atrás de uma barba ralinha. Sua bicicleta era seu meio de transporte e sua “oficina”. Com o pedal ele acionava uma tira de couro que fazia girar um esmeril, onde ele afiava as facas assobiando uma antiga canção.
Taubaté era assim, gostosa como aquele pãozinho que o padeiro nos trazia, ainda quentinho, numa época onde não havia padarias, carros nem maldade naquele povo simples, mas feliz.

---------------------------

Camões Filho, jornalista, escritor e pedagogo, é membro titular da Academia Taubateana de Letras.
E-mail para contato com o autor:  camoesfilho@bol.com.br